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"Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm." (1 Coríntios 10:23a)

transeuntes.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Diálogo disforme.

Estava eu atrasada para pegar minha filha na escola. Primeiro fiz uma ligação importante no orelhão. Fui para o ponto de ônibus, de costas estava uma moça loira mas não reconheci, só quando ela se virou que demos por conta, gritamos juntas: - amiga! muito tempo que não nos víamos, essa participou de momentos tensos na minha vida, pensei comigo.
O ônibus chegou, demos sinal e adentramos, horário de pico, coletivo bombando, muvuca. Fomos colocando a conversa em dia, falamos sobre o dia-a-dia já que não nos víamos há tanto tempo, relembramos o passado, as festas, falamos bem de algumas pessoas e mal de outras, trocamos telefones, combinamos algo e eu pensei comigo agora não perderemos mais contato, mas sabe que eu não estava bem certa disso, sei lá a vida tem tantas ídas e vindas... continuei a caminhada rumo à escola. Passei no mercado e comprei um salgadinho para não chegar com as mãos abanando ou correr o risco de ter que voltar porque a criança adora salgadinho de bolinha com cheiro de chulé.
A rua da escola é uma subida, lá no topo haviam 3 pessoas no portão de uma residência e descendo a rua uma moça de aproximadamente uns 27 anos, mas ela não escutava o que uma senhora lá de cima naquele grupo dizia. Ela gritava e abanava as mãos dando tchau para a pessoa no topo do morro, enquanto isso eu ia me afastando da moça e chegando mais perto da pessoa que gritava e gesticulava algo também. Quanto mais perto eu chegava mais nítido iam ficando os signos, sons e as palavras da senhora que provavelmente era a mãe da moça.
Finalmente consegui escutar o que a senhora dizia, e então me percebi no meio de tal dialógo disforme ou talvez não entendível. Sim, indiretamente eu estava fazendo parte daquilo, eu senti que estava e precisava fazer algo, possivelmente dar forma àquele diálogo. Era a senhora no topo, eu no meio e a moça logo mais abaixo. A senhora gritava para a moça que a amava mas ela não escutava e eu me senti no dever de reproduzir o que ela queria falar àquela moça que supostamente poderia ser sua filha. Então eu me virei para baixo e disse com um tom mais alto de voz: -Ela está dizendo que te ama! A moça me agradeceu e respondeu a mãe com outro grito que também a amava, acenou com as mãos, virou-se e foi embora.
Com certeza a senhora não tenha escutado o "eu também" mas eu me senti aliviada por ter ajudado naquela declaração explícita de amor entre mãe e filha; imagina se algo acontece e a mãe não conseguiu dizer a filha que a amava pela última vez e a filha perderia a oportunidade de escutar que sua mãe a ama mesmo que este amor naquele momento não se fizesse compreensível por conta do barulho dos carros.
Cheguei atrasada e logo que vi minha pequena Elisa sair no portão da escola a abracei e disse que amava, talvez para poupar que o barulho dos carros um dia nos atrapalhe.

4 comentários:

Eduardo Machado Santinon disse...

Porra que texto bonito hein preta ! animal, beijo aí.

FABI disse...

Citando uma pessoa querida que posta aí em cima: Bonita pra porra essa história.
Fiquei pensando se já perdi uma oportunidade como essa... ou se vou perder...

Fabinho disse...

aí que bonito Preta!

Camilla para os menos íntimos... disse...

obrigada, obrigada!
faço o bem não importa a quem, a boa ação de hoje foi feita!