Ela estava agitada. Por dentro tudo se mexia como se estivesse dentro de um liquidificador, mas por fora, tudo fluia normalmente na mais calma e tenra espontaneidade que os seres humanos costumam ter mesmo diante de toda a contradição mundana. Tensa, agitada, um dia anacrônico, em nenhum momento se sentiu tácita, suas púpilas estavam dilatadas e o dia, ah o dia! era cinza cromado. O menor ruído lhe soava nos ouvidos e na alma como um estardalhaço, num barulho ensurdecedor que lhe estremecia. Se perguntava como e porque se sentira assim. Motivo aparente havia alguns dois ou três mas todos remediáveis. O que lhe incomodava era bem maior que esses motivinhos tolos que com meia dúzia de voltas ela resolveria facilmente, era bem maior mas ela não conseguia distinguir o que era. Pensou um pouco mais, as sensações continuavam a crescer. Leu um pouco, assistiu qualquer coisa que passava na televisão. Tomou água porque quando está assim sente muita sede. Tirou a roupa lentamente (poderia ter essa impressão quem a observasse), fantasiou até um voyeurismo tolo e imbecil, pois, ninguém estava por perto, deitou e dormiu angustiada e sem ter contato nenhum com o mundo exterior.
apenas eu.
- Camilla Dias Domingues
- "Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm." (1 Coríntios 10:23a)
transeuntes.
Mostrando postagens com marcador histórias e estórias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador histórias e estórias. Mostrar todas as postagens
sábado, 19 de junho de 2010
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Páginas de um romance particular.
Ao seu redor várias pessoas, homens e mulheres em trajes elegantes. Ela era uma moça esguia, rosto pueril, vestia um vestido azul marinho e sapatos com salto mediano, a única coisa que demonstrava ainda haver entusiasmo para a vida naquele instante eram seus brincos de madrepérola. O sol da tarde escaldava seu rosto não muito pálido, sua cor era um negro avermelhado, seus cabelos presos num coque mostravam a reserva da sua vida, sua pseudomoralidade. Ao seu lado andando a passos lentos ele a olhava atônito, caminharam mais ou menos meia hora até chegarem ao destino. Dois homens empurravam um carrinho com um pequenino caixão em cima. Ela não derramou um lágrima. Estava embreagada pelos seus mais íntimos pensamentos. O silêncio fez-se constante durante todo trajeto.
O mesmo homem não parava de contemplá-la, ela estava exultante não demonstrava se quer um pingo de dor. A dor que sentia era menor que o desejo de enterrá-las. Era um cortejo, um cortejo fúnebre, mesmo assim ela se sentia em paz, sepultaria naquele dia todos os seus rancores e lembranças inutilizáveis. De longe ela via os túmulos por entre túmulos parecendo que dançavam nas labaredas de uma fogueira por causa do sol forte demais. Lembrava-se de tudo que passou e decidiu que não mais choraria, absteve-se de qualquer impulso contrário ao seu desejo. Lembrou-se que até aquele momento havia se negligenciado e não queria mais protelar a situação de se salvar.
Chegaram ao local, no jazigo a cova onde desceria o caixão, ela parou e olhou, todos continuavam ali ao redor do buraco no chão, inclusive o homem que a contemplava. Ele era alto, robusto, porte físico invejável, cabelos crespos bem cortados, pele retinta, vestia um pomposo terno riscado e um chapéu preto de lado. Ele era sua mais nova paixão. Talvez esse seja mais um dos motivos para tomar tal decisão, para se livrar, enterrar o passado e deixar que uma nova flor florescesse em seu coração. A cova não era muito grande, mas ali cabia o que era pra ser enterrado. Ela fechou os olhos e por mais alguns instantes mergulhou em seus pensamentos, possivelmente estava fazendo uma prece ao defunto, pedindo à Deus bonança e também agradecendo por estar ali fazendo o que deveria ser feito.
Pediu a um dos homens que abrisse o pequeno caixão, fitou todos os objetos de relance e com certa imparcialidade, pois, já sabia que estavam lá, o caixão fora meticulosamente preparado e ela não esquecerá nada, tinha total certeza. Foi fechado novamente.
Havia no caixãozinho alguns pertences, cartas de amor de amores passados e bilhetes escritos a próprio punho pela moça e outros com caligrafias diversas, pequenas lembranças de sua vida, pequenezas que fora presentada por outras pessoas que passaram por seus quase trinta anos de existência, nenhum daqueles objetos lhe eram inalienáveis. Entre estes haviam também cartas escritas por ela recentemente expressando em palavras tudo que não mais queria para si. Enquanto todos aqueles objetos estavam em seu poder, ela nunca parara de remoer o passado fazendo do presente um pesadelo terrível, reproduzindo tudo que já viverá com ações ou com palavras, não deixando que seus sonhos e objetivos se concretizassem de maneira natural. Era sempre impelida por laivos do passado afastando assim as pessoas que a amavam ou que por eventualidade poderiam vir a amá-la. Ela poderia desfalecer caso não matasse suas lembranças.
Foi um ato simbólico não uma metáfora, entendam. Ali naquele caixão ela depositara todas as coisas que a impediam de viver com alegria, quis com esse ato demonstrar que estava tudo sendo morto e enterrado e daquele momento em diante abria espaço para uma nova vida, onde os sofismas, os sentimentos hostis e dos quais se tornara subserviente não mais existiriam.
O caixão desceu a cova, durante o sepultamento nenhuma lágrima. Conforme a terra caía sobre ele um certo excitamento lhe tomava conta, suas mãos estavam suando num misto de prazer e euforia. Alguns perceberam tamanho era seu sentimento de libertação e sorriam com o canto da boca. Ao fim do enterro todos os presentes lhe parabenizaram com apertos de mãos e abraços solicitos e ninguém lhe indagou os pesâmes, era isso que ela queria. Pegou sua echarpe florida de dentro de uma pequena bolsa que segurou a todo momento durante o cortejo, soltou seus cabelos e amarrou-os com ela. O brilho dos seus olhos refletiam alegria, enfim se libertara. Na lápide os dizeres eram assim: "aqui jaz todos os sentimentos e lembranças que outrora me fizeram lutar contra mim mesmo *02/09/1982 +01/01/2010". O homem beijou-lhe a testa, a tomou pelos braços e caminharam pelo mesmo caminho de volta, sentia-se aliviada e pronta talvez como nunca houvesse se sentido.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Traçando um panorama da situação.
O telefone tocou, ela entreabiu os olhos e atendeu, perguntou as horas para a pessoa ao outro lado da linha, 2 da tarde. Foi quando constatou que ontem dormirá já passavam das 5 da manhã. Desligou o telefone após falar algumas palavras ainda com a voz meio sonolenta, recobriu a cabeça com o cobertor e pensou "cá estou eu novamente trocando o dia pela noite".
Ela sabe que seu organismo se acostuma bem ao ritmo de seu cotidiano e como há alguns meses esse cotidiano não lhe é muito ritimado, acostumou a ler até muito tarde da noite e acordar tarde do dia.
Sente-se sufocada dentro da sua casa de dois cômodos e meio, ainda se vê em meio a construção do restante da casa que não acabará ainda. Os dias e as horas são meticulosamente rápidos a passar por entre lembranças recentes de episódios antigos que lhe tiram a calma. A busca módica por cuidar da sua saúde mental, física e espiritual não sessa. Falta-lhe uma paixão, falta-lhe um trabalho, falta-lhe dinheiro, falta-lhe sentir-se últil denovo.
Existe uma certa aridez em sua vida, é como se visse perdida num deserto, andando andando e não encontrando nada. Sonhos ela os tem de monte, e sempre procura seus significados no livro de sonhos, eles chegam a ser miragens da realidade que está vivendo. Já pensou também em azar, porque não? Existem pessoas com sorte demais outras com azar demais, porque não poderia estar na segunda parcela de pessoas.
Nesse momento apenas um meneio com a cabeça, o sangue fervilhando, seu coração bate com premência, as mãos suando, ela é impelida por uma leve tontura, insiste para livrar-se dos pensamentos mas os malditos não vão embora, estão de fato a permear sua vida.
Levanta-se desliza a mão sobre o lençol da cama na intenção de deixá-lo ao menos esticado, toma um copo de suco de uva e pensa que poderia ser uma taça de vinho. Se joga na cama novamente como pessoa frívola que se sente. Os olhos parecem pesados, fadiga. Esgotada, vulnerável, exausta pelo esforço de ter-se entregue por inteiro em tudo que fez até hoje ela adormece novamente.
Isso tudo pode ser a evitação dos fatos, uma possível fuga. O fato é que ela ainda não desistiu, apenas vive um momento arbitrário aos seus desejos. A ansiedade, euforia e inquietude que traz dentro de si são provas de que ela quer sair triunfante desse limbo que a assola e em nenhum momento que seja quer ela ser subjugada parasita ou em estado vegetativo. A vida apenas está lhe testando com algumas adversidades. Esperemos por dias melhores.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Diálogo.
- O maior problema é a fantasia, deixe de ser assim és uma mulher! não mais uma menina sonhadora!
- Quem liga para suas fantasias?
- Vais virar uma palhaça , é isso que queres?
- Todos já estão cansados de seus planos mirabolantes e de te escutar falar sobre eles.
- O que realmente vale a pena senão a fantasia que crio na minha cabeça, senão o meu mundo fantasioso?
- Ahhhh! vale mais os pés no chão? É tens razão.
- Fale o que quiser, daqui a pouco eu crio outra, elas são meus alucinógenos para poder viver com menos dor e mesmo assim ainda as provocam.
- Estou eu... em estado adiantado de alucinação.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Aquela tal inveja construtiva.
Pela manhã indo trabalhar, ainda dentro do ônibus, o fone em seus ouvidos e ela viaja no som de Miriam Makeba, conforta e faz vibrar seu coração que antes mais, agora menos mas continua apertadinho. Ela reflete sobre sua vida e suas vontades. Acaba por sentir saudades daquilo que ainda não viveu.
Chega a seguinte conclusão: ela inveja as pessoas, na verdade é uma inveja construtiva (se é que existe esse tipo de inveja), pensa que queria ter ou construir algo igual mas não necessariamente aquele algo que está em "poderio" de outrem, manja? - ela se pergunta.
Faz falta ela sabe. É como se lhe faltasse algo, e de fato falta. Parece que tem um buraquinho na vida da gente - ela diz. Todo mundo quer e precisa disso, mentem os que falam o contrário - ela reforça a retórica.
Faz falta ela sabe. É como se lhe faltasse algo, e de fato falta. Parece que tem um buraquinho na vida da gente - ela diz. Todo mundo quer e precisa disso, mentem os que falam o contrário - ela reforça a retórica.
Construiu o que seria esse algo em sua mente (o que não a impede de desconstriur e construir de novo se necessário for, não é nada que fuja a realidade comum). Ela queria somente algo bacana. Tranquilidade e risadas. Conversas intelectuais e idiotas também. Filmes dramáticos, românticos e documentários nos fins de semana frios e nos de calor, praia e cerveja. Cuidados e atenção. Divergencia de idéias sim, porque não!? Chinelo e meia. E ela reafirma a idéia:
- Se eu estiver errada me corrija!
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
A garota do mês.
Eu cômo bronha em bingo, sempre acho que ganhei e quando vão conferir, olha o mico aí gente! comi bronha! Não tenho sorte em jogos, seja qual for a espécie (por isso eu uso de artimanhas). Ganhei uma vez só uma rifa e foi na faculdade, no 2º ano, era uma rifa valendo uma noite num motel firmeza mas tive de vender porque não tinha um companheiro para se deleitar na hidro comigo, com a grana comprei uma jaqueta verde que tenho até hoje. Só achei dinheiro uma vez, no chão do ônibus, alguns reais consideráveis. Perco sempre no par ou ímpar e em sorteio de papelzinho ou palitinho (e olha que sou eu a sempre dar a idéia de tirar no papalezinho).
Acho que só porque hoje é meu aniversário a sorte quis me mostrar que ela ainda me acompanha mesmo que exporadicamente. Ganhei uma camiseta num sorteio, é mais ou menos assim: eu ganhei de presente, sem motivo aparente ou data especial algumas camisetas pintadas em stencil de um cara que eu comia e o cara que produz as camisetas realiza um sorteio mensal em seu Blog (um incentivo à compra e de fato incentiva! as camisetas são bacanas) e se eu tiro uma foto com alguma das camisetas e envio pra ele (que coloca no Blog) concorro a outra camiseta na faixa, na cor e estampa que eu escolher e vejam só... eu ganhei! Fiquei feliz!
Ainda tenho 3 possibilidades de ganhar denovo, pois, tenho 5 camisetas de estampas diferentes e até agora só mandei 2 fotos. No primeiro sorteio eu não ganhei e no segundo eu fui a felizarda do mês. Será que rola de novo?
O envio da foto.
O sorteio.
sábado, 8 de agosto de 2009
e a barriga crescia...
A transa involuntariosa no carro de uma amiga ocasionou uma grávidez indesejada. O que fazer? Como contar à família? Ela queria abortar, ele disse que a mataria se fizesse isso, sua mãe disse que ela se arrependeria se colocasse em prática. A família ao contrário do que se pensava lhe deu todo apoio e possivelmente depositaram nesse novo ser que nasceria o amor que tinham pelo membro mais velho da família e que havia partido à poucos meses antes da notícia: a bisavó (cuidará dela desde os 2 meses de vida, ficaria feliz em saber da notícia - ela pensava).
Nos primeiros meses foi difícil para aquele corpo aceitar um outro ser dentro de si, muito choro, mutação, o corpo se transformando, mais choro, mudanças hormonais, emocionais, físicas. Os meses íam passando e a barriga crescendo. O reprodutor estava pouco presente, haviam brigado no começo da gestação e só no 6º mês de gestação que voltaram a se entender e ele sentiu emoções que nunca tinha externado para a reprodutora, ela o amava. E a barriga crescia. Ela não deixou de fumar, mas reduzirá significativamente, antes fumava um maço por dia, passou a fumar dois ou três cigarros durante todo o dia.
Nos momentos difíceis quando ela ficava melancólica com toda situação pôde contar com a ajuda da família e de alguns poucos amigos verdadeiros que lhe faziam companhia, mesmo quando já não aguentava mais sair de casa porque a barriga estava muito grande. Ela era mãe solteira e a barriga crescia. Emocionante foi escutar pela primeira vez o coração do pequeno ser que estava gerando em seu ventre. Estranho foi quando sentiu algo diferente dar um pontapé do lado direito de sua barriga como quem diz "estou aqui, agora você pode me sentir de verdade, não sou mais palavras apenas" e mais extasiante foi quando viu pela primeira vez na telinha da ultrasonografia a figura daquela delicadeza, "está tudo bem com ela" disse a perita em ultrassom, lágrimas rolaram de seu rosto. Ele não estava lá.
Ela esperava por um menino, comprou roupas azuis certa de que seria mas era uma menina. Ele não estava lá. E a barriga crescia cada dia mais. Qual será o nome? Ela queria Marina mas ele não quis. Chegaram a conclusão que seria Elisa. Ela ficou bonita grávida, tirou muitas fotos, não engordou muito, apenas 6 kg e questionava a sua médica ao ver as outras mães enormes de gordas e inchadas no consultório, pensava existir algum problema com ela mas a Drª dizia "as duas estão bem e saudáveis, para que ficar igual a uma vaca gorda?", ela sorria sempre. A barriga crescia.
Começaram ela e família a comprar a mobilia para a bebê que estava para chegar, muitas roupinhas a pequena Elisa já possuía e ganhava muitas mais. Era delicioso olhar e tocar naquelas roupinhas tão pequenas e imaginar como seria a face da pequena, seu corpinho, o jeito da boca, os cabelos e todo o resto. A barriga crescia e o medo se aproximava. Está chegando a hora, muito choro e várias perguntas sem respostas. Ela perguntava a todas que já tinham filho se iria doer, e elas respondiam "é uma dor suportável". Ela pensava "como assim?". Sua mãe lhe dizia: "larga a mão de ser boba menina! Não entrou agora vai ter que sair!" Isso lhe causava temor se somado com aquela história da dor suportável. E a barriga crescia, até que chegou o grande dia, dores fraquinhas, pausadas, ela achou que não era nada, apenas cólicas afinal nunca tinha estado grávida antes e assim foi durante todo aquele dia. As dores foram aumentando e a barriga dura como um pedaço de madeira, e aí já não haviam mais pausas durante as contrações, só depois que uma amiga chegou lhe disse que o nome daquilo eram contrações e não cólicas normais e que ela iria ganhar o bebê. "E agora?" ela pensou. Fumou o último cigarro. A avó paterna veio e a levou para o hospital. Ele estava com ela e segurava sua mão, foi sentado a seu lado na ambulância, foi preciso ir para outro hospital por falta de vagas. Ele cantava para tentar amenizar sua dor e ela lhe beliscava por conta da dor. Ele queria ver o parto, não foi possível.
Dores insuportáveis e ela lembrava "é uma dor suportável" filhos da puta! A dor lhe cortava a alma, e vinha diretamente do cóquis. "Faça força!" falava a enfermeira na sala de pré-parto depois de lhe fazerem uma lavagem e lhe aplicaram uma medicação na veia que lhe deu ainda mais dores e assim ela o fazia mas não havia dilatação sulficiente. O Drº chegou, era japonês e a mãe dela disse que havia sido um japonês também a fazer o seu parto e que eles eram os melhores, ela ficou mais aliviada, o médico estourou a bolsa, era chegado o momento e as dores eram intensas.
Foi realizada uma cesariana, necessário duas aplicações de anestesia; escutou um primeiro choro fraquinho, já era sua menina recém-chegada a esse mundo de sentimentos e relações tão dúbias. Elisa Dias Caetano nasceu às 00h26 do dia 08/08/2003 com 47 cm e 3.250 kg. Era uma madrugada fria e garoava. Sua mãe ficou em frangalhos depois do parto, como lhe doía o corpo e aquela incisão uns oito dedos abaixo do umbigo, não pensou que seria assim, mentiram para ela. A barriga desapareceu mesmo assim continuava grande e enchada e assim ficou durante os primeiros meses de vida de Elisa.
Ainda no hospital sentiu-se estranha ao amamentar pela primeira vez mas achou a cena muito bonita, era vida! e ela alimentava a sua vida. Pediu pelo celular que lhe trouxessem chocolate, não podia mas todos queriam fazer os gostos da mais nova mamãe. Ela comeu escondida dos médicos, mas ofereceu para a outra mãe que estava no quarto junto com ela e esta recusou, pensou ela "sobra mais". As visitas eram muitas: família e amigos, um clima de total felicidade. Elisa era linda todos parabenizavam a mãe, tinha cabelos pretos como petróleo e olhinhos de jabuticaba. Ela era a cara da mãe quando nasceu todos diziam, pelo menos o nariz parecia que fizeram um de massa de modelar e grudaram na pequena.
Toda família materna e paterna foram visitá-las, levaram chocolate escondido a seu pedido. Ele foi visitar as duas todos os dias mas num dia chegou atrasado e depois do horário, burlou os funcionários do hospital e na última virada do corredor o qual se encontrava o quarto da sua pequena Elisa uma enfermeira o viu, logo ele contou a pior história que lhe veio na cabeça e a enfermeira se emocionou: "pode ir mas vá rápido senão estamos fritos!" exclamou ela. E ele foi. Ela assustou ao vê-lo achou que ele não viria mais. Depois do terceiro dia: ALTA! ela mentiu quando o médico perguntou se já havia evacuado, disse com a maior cara lavada "sim Drº!". Consegui! - pensou ela, pois não poderia sair sem evacuar, poderia causar alguma complicação e ficou feliz pela mentirinha que acabava de contar, não aguentava mais comer aquela comida sem gosto. Sua casa, sua cama, comida caseira e outras cositas mais.
Elisa chorou muito nos primeiros meses e trocava o dia pela noite muitas fraldas sujas e limpas. A ajuda da Tia Célia foi imprescindível. Elisa chorava, Tia Célia acordava e lhe entregava nos braços da mãe que a amamentava, ou ela mesmo apertava a pequena contra sua barriga e aquilo amenizava as dores de barriga da bebê, o seu chazinho de camomila também era milagroso e assim os dias se passaram. Mesmo depois de uns meses a mãe ainda sentia mexer dentro de sua barriga, a mesma sensação de quando a bebê ainda estava lá dentro, perguntou à sua médica, que lhe disse ser normal. A mãe não teve uma estria na barriga (por Deus porque coçava a barriga com o pente fino) e seu corpo voltou totalmente ao normal, até emagreceu uns quilos daqueles que tinha antes, com exceção dos seios que de fartos ficaram pequenos e muchinhos.
Com 5 meses Elisa teve uma febre muito alta, suspeita de meningite. Ele estava lá. O médico pediu para que se retirassem da sala de exames alegando que os pais sofrem mais que os filhos, todavia lhes deu também a opção de permanecerem na sala. Eles preferiram sair. Ela pediu muito a Deus que não levasse sua bebezinha e sentia vontade de colocá-la devolta em seu ventre assim ela estaria segura, sentia medo e escutava do lado de fora da sala sua pequenina chorar enquanto lhe faziam o exame dolorozo. Ela perguntou ao médico se poderia acarretar algum trauma emocional em sua filha, o médico respondeu que não. Ao fim tudo deu certo, era apenas uma infecção de urina constatada somente através da biopsia. Ela pensou que nunca desejaria nada igual a esse sofrimento a nenhuma mãe no mundo. Ele chorou.
Elisa deu seus primeiros passinhos com 1o meses e falou a primeira palavra com 11 meses que foi "mamãe". Elisa deu outra perpectiva para os planos da mãe e isso foi muito bom e ela até voltou a estudar tendo que deixá-la ir para escola com 1 ano e 6 meses, uma vez que, precisava trabalhar e custear sua faculdade, e durante os quatro primeiros anos de vida de Elisa foi assim. O pai era contra tudo isso. Ela tirava leite e deixava para que a filha fosse alimentada e também doou leite, tinha muito. Desmamou-a aos seis meses de vida, a pequena recusava o peito materno depois que percebeu ser mais fácil sugar o bico da mamadeira.
Hoje Elisa está completando 6 anos de vida, é uma criança muito esperta, inteligente, perceptiva, sociável, saúdavel e amada. Seus olhinhos brilham, ela sorri com os olhos, bem se vê que foi bem cuidada. Infinitos serão os agradecimentos de Elisa e sua mãe à sua família que lhe apoiaram desde o começo e também aos amigos que de diferentes formas fizeram toda diferença nesses anos. A família dele também devem agradecimentos mais por esses últimos dois anos que se fizeram mais presentes na vida das duas. Elisa enche de alegria a vida das pessoas que a amam. O pai não é muito presente, lembra das datas comemorativas e compra presentes, mas a ama. Elisa deixou de parecer tanto com a mãe fisicamente falando e herdou do rosto até o jeito de andar do pai, somente o nariz e os dentes separados são iguais aos da mãe. Pai e mãe não estão juntos. O ano que sucede ela irá para a 1ª série, como o tempo passa rápido e muita coisa boa ainda terá a mãe de Elisa para contar sobre sua garotinha.
Feliz Aniversário!
"Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem. Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos, Porque eles têm seus próprios pensamentos. Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas; Pois suas almas moram na mansão do amanhã, Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho. Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós, Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados. Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas. O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe. Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria: Pois assim como ele ama a flecha que voa, Ama também o arco que permanece estável."
(Gibran Khalil Gibran)
Assinar:
Postagens (Atom)