apenas eu.

Minha foto
"Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm." (1 Coríntios 10:23a)

transeuntes.

Mostrando postagens com marcador no trabalho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador no trabalho. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Quase uma mulher de 30 anos.

Hoje foi o dia em que minha mãe deu a luz à minha vida e desde então já são 29 anos de idade. Tantas situações, tantas alegrias e tantas tristezas, considero ter vivido muitas coisas e quantos planos imaturos não tive e agora percebo tudo de uma maneira tão mais lúcida.
Sou quase uma mulher balzaquiana e tenho que dizer que a uns 3 anos atrás ganhei o livro do Balzac "A mulher de 30 anos", comecei a ler mas achei massante, cansativo, uma verdadeira chatice.
Pela manhã consagrei e entreguei minha vida diante do trono do Senhor e agradeci por todos os seus livramentos, todas as bençãos materiais e espirituais, por ter me escolhido e estar me capacitando para falar sobre o sEu amor e pelas pessoas que eu amo.
Na minha vida o inimigo não toca!
Acho que essa tenha sido a primeira vez que fiz isso.
Ainda pela manhã no trabalho um café da manhã com direito a Sucrilhos e iogurte, SURPRESA!na sequencia bateram parabens pra mim com um bolo bem gostoso que a Nayara Pando fez especialmente para a minha pessoa e também ganhei chocolates de toda equipe do CEDECA.
Ligações telefônicas, beijos e abraços apertados, muitas felicitações.
Meu lindo noivo foi me buscar no trabalho (comeu um monte de bolo) e a noite houve uma tentativa de nos tirar do foco, várias setas, mas no final deu tudo certo porque servimos a aquEle que tudo pode.

À todos(as)que lembraram e aos que não lembraram, ou lembraram só no outro dia: eu amo a vida de vocês, obrigada e que Deus abençoe a todos(as) amados(as) irmãos(as) amigos(as)!! Que o Senhor seja conosco sempre e em todos os momentos da nossa vida, Jesus no controle sempre!

"O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti; o Senhor levante sobre ti o seu rosto, e te dê a paz." (Números 6:24-26)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Curso de DEFESA POPULAR da CRIANÇA e do ADOLESCENTE 2011

Caros amigos e colegas profissionais, militantes e interessados na área da Infância e Juventude:
em 12 de julho comecei a realizar um curso na Defensoria Pública de São Paulo, curso esse que já está na 8ª aula e vem sendo enriquecedor, dessa forma venho compartilhar com todos, que venho alimentando o blog do CEDECA - Centro de Defesa da Criança e do Adolescente - "Mônica Paião Trevisan" (http://cedecasapopemba.blogspot.com/) local onde eu trabalho com as aulas que vem sendo ministradas, caso aja interesse é só clicar no link acima e entrar no blog.


Faço um convite a visitarem o blog, e a serem unidade de resistência na luta dos direitos das crianças e adolescentes.
O que é?
O Curso de Defesa Popular da Criança e do Adolescente é uma iniciativa do Núcleo Especializado da Infância e Juventude da Defensoria Pública do Estado de São Paulo (NEIJ) com a parceria da Escola da Defensoria Pública (EDEPE). Visa formar sujeitos políticos que se constituam como lideranças locais capazes de atuar em três aspectos principais: na orientação para o acesso aos mecanismos de promoção, proteção e defesa dos direitos da infância e juventude; na identificação de situações que envolvam possíveis violações destes direitos, e na articulação e planejamento de políticas públicas de atenção ao segmento.

Para quem é?
O curso é gratuito e direcionado especialmente a pessoas e instituições que compõem o Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA), como: conselheiros tutelares; conselheiros de direitos; profissionais e gestores das políticas públicas, em particular da Assistência Social, Educação e Saúde; profissionais e gestores de organizações não-governamentais de atendimento à infância e adolescência e profissionais dos órgãos do sistema de justiça. Estudantes e interessados pelo tema são bem-vindos!

Como é?
O curso tem carga horária prevista de 50 horas e será dividido em quatro módulos, que abordarão diferentes questões relativas aos direitos de crianças e adolescentes expostos no Estatuto da Criança e do Adolescente, conforme a programação que você pode consultar ao lado. Cada módulo do curso será composto por duas ou três aulas e, ao seu término, haverá uma oficina para discussão e avaliação dos conteúdos.
Todas as aulas, de enfoque multidisciplinar, terão a presença de um defensor público e de professores ou especialistas convidados reconhecidamente referenciais nas suas áreas de atuação e pesquisa.

Onde e quando?
As aulas ocorrerão no período noturno, das 19h às 22 horas, às terças e quintas-feiras dos meses de julho, agosto e setembro de 2011, no Auditório da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, à Rua Boa Vista, nº 200, Centro – São Paulo.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Liberdade Assistida.




Semana passada tive a oportunidade de participar de uma palestra com o Promotor de Justiça Eduardo Dias de Souza Ferreira, apesar de ser meu primeiro dia de trabalho na equipe do CEDECA MPT, me senti bastante a vontade com o tema discorrido por ele e que também é sua tese de doutorado.
Compartilho com todos minha mais nova aquisição: o livro "Liberdade Assistida no Estatuto da Criança e do Adolescente: aspectos da luta pela implementação de direitos fundamentais" examina a natureza e o conteúdo da medida de liberdade assistida, como a possibilidade de acumulação com outras, a progressão ou regressão, a sua eficácia e o respectivo procedimento, tanto no que pertine à cognição, como quanto à sua execução. Defende a imperiosa necessidade de a atividade jurisdicional estar conectada e integrada com as políticas públicas e a própria sociedade, seja para evitar a delinqüência, seja para uma efetiva reinserção daquele que praticou o ato infracional.
De tudo isso, percebe-se que o livro se constitui em obra completa e exauriente, revelando-se instrumento indispensável aos militantes do direito, em especial aos que se preocupam com a causa da criança e adolescente, como substrato mesmo do futuro de todos nós.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Estude.


Não vejo outra maneira de estar preparada se não estudando, pesquisando, entendendo e fazendo a leitura de toda a dinâmica societária - e da questão social - em sua totalidade tida como "complexo de complexos", inserindo nesse contexto o objeto de estudo, ou seja, o sujeito da ação, nesse caso crianças, adolescentes e/ou suas famílias. Li este livro no tempo da faculdade e agora ele está sendo mais que útil, uma segunda leitura com outro olhar faz toda a diferença. Ao abrir o livro vi que na época em que o li grifei algumas coisas que correspondiam a época e ao meu entendimento, hoje meus grifos já são diferentes e correspondem a atual vivência. O livro é de fácil leitura e entendimento. Fica a dica pra quem quiser saber mais sobre o tema.

Aí vai um trecho do livro que diz sobre a atuação da(o) Assistente Social no segmento judiciário (pág. 39, 40):

"Sabe-se que o trabalho nessa área é incômodo, tenso, permeado por "desfiles" de tragédias, de violências pessoais, sociais, institucionais - explícitas ou simbólicas. Como crer em possibilidades e criar novas formas de ações, na medida em que os profissionais lidam direta e cotidianamente com estas tragédias? São situações em que os profissionais, via de regra, recebem remuneração aquém do seu valor, e pouco ou nenhum, investimento na capacitação por parte da instituição empregadora. Como preservar a serenidade, o equilíbrio, o bom senso e o "distanciamento científico", sem se correr o risco de se colocar como "policias" da família ou do adolescente ou como "salvadores" de uma criança ou de um adolescente? Indaga-se, assim, como estes profissionais podem ter a serenidade e equilíbrio para não passar a ver todas as situações como iguais. Como não ultrapassar, no cotidiano da intervenção profissional, o limite entre a contribuição competente para a justa aplicação da justiça, a garantia de direitos e uma possível arbitrariedade que pode vir diluída no saber-poder que subsidia e contribui para a decisão sobre o futuro da vida dos sujeitos? Como pensar em viabilizar outras possibilidades de ação, de caráter coletivo, frente ao descompromisso social e ético de parte de vários personagens que compõem os poderes constituídos, como construir possibilidades de transformações no cotidiano desse trabalho e desse trabalho no cotidiano, superando suas evidentes características de repetição, são outras indagações que podem ser feitas envolvendo a função do assistente social.
Estas e tantas outras são questões que permanecem e, quem sabe, possam ser instigadoras da necessária continuidade da união e organização política dos trabalhadores da área e o necessário desenvolvimento de estudos e pesquisas a respeito dessa temática, de forma que se valorizar, que se instrumentalize qualitativamente o trabalho profissional e que contribua para a implementação de ações direcionads para mudanças."

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Aprovado PL que fixa carga horária de Assistente Social.

O Senado aprovou em 03 de Agosto de 2010 e agora será encaminhado à sanção presidencial, o projeto de lei que fixa em 30 horas semanais a duração de trabalho dos Assistentes Sociais. O projeto, que também veda a redução do salário da categoria, foi aprovado, extra-pauta, com as galerias da Casa tomada pelos profissionais. O autor da proposta, deputado Mauro Nazif (PSB-RO), afirma que a Constituição fixou em 8 horas diárias ou 44 semanais, a carga horária dos assistentes sociais.

Argumenta, porém, que a maior exposição à fadiga, causada pelos exercício de determinadas profissões, como entende ser a de Assistente Social, justifica a redução. "São profissionais que atuam junto a pessoas que passam pelos mais diversos problemas, seja em hospitais, presídios, clínicas e outras entidades destinadas ao acolhimento ou reinserção da pessoa na sociedade", alega. Daí porque, ele defende que a jornada de 30 horas "é justa e socialmente relevante".

*Veja mais em: http://www.cfess.org.br/noticias_res.php?id=451

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Infância e Juventude.

Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária


Marco Legal

"A Constituição Federal estabelece que a “família é a base da sociedade” (Art. 226) e que, portanto, compete a ela, juntamente com o Estado, a sociedade em geral e as comunidades, “assegurar à criança e ao adolescente o exercício de seus direitos fundamentais” (Art. 227). Neste último artigo, também especifica os direitos fundamentais especiais da criança e do adolescente, ampliando e aprofundando aqueles reconhecidos e garantidos para os cidadãos adultos no seu artigo 5º. Dentre estes direitos fundamentais da cidadania está o direito à convivência familiar e comunitária(...)"

Acolhimento Institucional

No presente Plano, adotou-se o termo Acolhimento Institucional para designar os programas de abrigo em entidade, definidos no Art. 90, Inciso IV, do ECA, como aqueles que atendem crianças e adolescentes que se encontram sob medida protetiva de abrigo, aplicadas nas situações dispostas no Art. 98. Segundo o Art. 101, Parágrafo Único, o abrigo é medida provisória e excepcional, não implicando privação de liberdade.
O Acolhimento Institucional para crianças e adolescentes pode ser oferecido em diferentes modalidades como: Abrigo Institucional para pequenos grupos, Casa Lar e Casa de Passagem. Independentemente da nomenclatura, todas estas modalidades de acolhimento constituem “programas de abrigo”, prevista no artigo 101 do ECA, inciso VII, devendo seguir os parâmetros do artigos 90, 91, 92, 93 e 94 (no que couber) da referida Lei.
Todas as entidades que desenvolvem programas de abrigo devem prestar plena assistência à criança e ao adolescente, ofertando-lhes acolhida, cuidado e espaço para socialização e desenvolvimento. Destaca-se que, de acordo com o Art. 92 do ECA, devem adotar os seguintes princípios:

I - preservação dos vínculos familiares;
II - integração em família substituta, quando esgotados os recursos de manutenção na família de origem;
III - atendimento personalizado e em pequenos grupos;
IV - desenvolvimento de atividades em regime de co-educação;
VI - evitar, sempre que possível, a transferência para outras entidades de crianças e adolescentes abrigados;
VII - participação na vida da comunidade local;
VIII - preparação gradativa para o desligamento;
IX - participação de pessoas da comunidade no processo educativo.

(...)Ressalta-se que todas as entidades que oferecem Acolhimento Institucional, independente da modalidade de atendimento, devem atender aos pressupostos do ECA. Por tudo que foi abordado neste Plano, destacamos, ainda, que tais serviços devem:

 estar localizados em áreas residenciais, sem distanciar-se excessivamente, do ponto de vista geográfico, da realidade de origem das crianças e adolescentes acolhidos;
 promover a preservação do vínculo e do contato da criança e do adolescente com a sua família de origem, salvo determinação judicial em contrário;
 manter permanente comunicação com a Justiça da Infância e da Juventude, informando à autoridade judiciária sobre a situação das crianças e adolescentes atendidos e de suas famílias;
 trabalhar pela organização de um ambiente favorável ao desenvolvimento da criança e do adolescente e estabelecimento de uma relação afetiva e estável com o cuidador. Para tanto, o atendimento deverá ser oferecido em pequenos grupos, garantindo espaços privados para a guarda de objetos pessoais e, ainda, registros, inclusive fotográficos, sobre a história de vida e desenvolvimento de cada criança e cada adolescente;
 atender crianças e adolescentes com deficiência de forma integrada às demais crianças e adolescentes, observando as normas de acessibilidade e capacitando seu corpo de funcionários para o atendimento adequado às suas demandas específicas;
 atender ambos os sexos e diferentes idades de crianças e adolescentes, a fim de preservar o vínculo entre grupo de irmãos;
 propiciar a convivência comunitária por meio do convívio com o contexto local e da
utilização dos serviços disponíveis na rede para o atendimento das demandas de saúde,
lazer, educação, dentre outras, evitando o isolamento social;
 preparar gradativamente a criança e o adolescente para o processo de desligamento, nos casos de reintegração à família de origem ou de encaminhamento para adoção;
 fortalecer o desenvolvimento da autonomia e a inclusão do adolescente em programas de qualificação profissional, bem como a sua inserção no mercado de trabalho, como aprendiz ou trabalhador – observadas as devidas limitações e determinações da lei nesse sentido - visando a preparação gradativa para o seu desligamento quando atingida a maioridade.

Sempre que possível, ainda, o abrigo deve manter parceria com programas de Repúblicas, utilizáveis como transição para a aquisição de autonomia e independência, destinadas àqueles que atingem a maioridade no abrigo.

( na integra, o Plano encontra-se neste link:
http://www.mp.ba.gov.br/atuacao/infancia/convivencia/plano_nacional_convivencia_familiar_comunitaria.pdf )


Com a Nova Lei de Adoção, que acaba mudando alguns artigos no ECA e acelerando o processo de adoção ou reinserção familiar temos:

Artigo 19

§ 1º Toda criança ou adolescente que estiver inserido em programa de acolhimento familiar ou institucional terá sua situação reavaliada, no máximo, a cada 6 (seis) meses, devendo a autoridade judiciária competente, com base em relatório elaborado por equipe interprofissional ou multidisciplinar, decidir de forma fundamentada pela possibilidade de reintegração familiar ou colocação em família substituta, em quaisquer das modalidades previstas no art. 28 desta Lei.

Este dispositivo é uma das grandes conquistas para reafirmar o caráter transitório da medida de abrigamento, que deve ser aplicada como a última das alternativas para a proteção da criança ou adolescente em situação de violação de seus direitos. Pelo sistema atual, o juiz justifica e fundamenta apenas a entrada no abrigo e sua saída, não havendo um mecanismo de controle periódico daqueles que estão institucionalizados. Com a inserção dessa nova regra, todo o sistema de proteção deverá funcionar de modo a avaliar permanentemente a necessidade daquela criança ou adolescente permanecer na instituição. Agora, teremos uma revisão permanente desses casos.

§ 2º A permanência da criança e do adolescente em programa de acolhimento institucional não se prolongará por mais de 2 (dois) anos, salvo comprovada necessidade que atenda ao seu superior interesse, devidamente fundamentada pela autoridade judiciária.

Outra inovação muito importante. Pelo sistema atual não havia tempo máximo para a duração da medida de abrigamento, o que acabou por resultar em demora para a solução de algumas situações. A fixação de um tempo máximo – e a obrigatoriedade de justificar quando o prazo for superado – fará com que o direito da criança ou adolescente de viver em uma família, biológica ou substituta, seja privilegiado em detrimento da permanência em uma instituição.

§ 3º A manutenção ou reintegração de criança ou adolescente à sua família terá preferência em relação a qualquer outra providência, caso em que será esta incluída em programas de orientação e auxílio, nos termos do parágrafo único do art. 23, dos incisos I e IV do caput do art. 101 e dos incisos I a IV do caput do art. 129 desta Lei. (NR)”

Mais um dispositivo que reforça o direito da criança de ser criada por sua família biológica. Trata também das medidas que podem ser aplicadas aos familiares, sempre com o objetivo de criar condições para que esse retorno ocorra.

( na integra, Nova Lei de Adoção comentada neste link:
http://www.promenino.org.br/Portals/0/Biblioteca/Cartilha_AMB_%20Adocao.pdf )

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Vivendo e aprendendo.

A cada dia que passa eu aprendo mais seja qual for a forma ou o sentimento que vem acompanhando esse aprendizado.
Eu gosto do reconhecimento, é bom, afaga o ego, nos deixa com vontade de ser e fazer cada vez melhor. Aceito também as críticas que por vezes me deixam pensativa ou colérica mas as aceito e paro para reflexão, foi difícil aprender a ter esse movimento: ouvir-parar-pensar, porém, a vida e as pessoas nos ensinam se não pelo amor, será forçosamente pela dor. Quando apenas uma pessoa fala é sinal de que talvez o problema não esteja somente contigo, mas quando mais de uma pessoa fala é pra se pensar.
Estou vivenciando uma nova etapa da minha vida, uma experiência que há de ser muito válida daqui pra frente no meu segmento profissional e crescimento pessoal. Momento em que estou construindo aos poucos o meu reconhecimento depois de alguns anos passando por lugares onde não houve o que eu almejava.
Por outro lado tentando entender ainda mais o ser humano controverso e autoritário. Um bicho estranho no entanto totalmente previsível de acordo com seu histórico de vida.
O que sou contra é ter um histórico de vida e mesmo assim se manter fechado para novas experiências, vivências e conhecimentos, se pautando sempre na sua própria vivência e esquecendo do tal do coletivo e das vivências alheias. Pode ser um certo distúrbio não perceber quando erra ou pode ser a mais pura dissimulação.
Eu acredito no ser humano, no poder tranformador do ser humano (vendo prós e contras das situações, tentando encontrar indícios de veracidade nas palavras e ações), embora também acredite que sou uma das poucas que ainda acreditam. Vejo que alguns de fato se transformam outros vivem buscando estratégias inconsciente ou conscientemente para afetar quem está perto.
O meu sentimento hoje é dúbio: volto para casa extremamente cansada como se um caminhão tivesse passado por cima de mim, chateada pelo ser humano ser por vezes autoritário e usar de estratégias insanas, volto repensando e reavaliando minha praxe; e feliz por saber que minha capacidade profissional supera e superará cada vez mais cada situação-problema que aparecer em meu encalço.

É um trabalho pesado com histórias de vida mais pesadas ainda, nada mecânico ou quiçá policialesco/ditatorial, ao contrário, muito subjetivo, onde respeita-se singularidades e trabalha-se potencialidades. A percepção somada ao insight devem ser aguçados falando e andando na mesma linha. Cada signo terá um porque, cada fala, cada ação desencadeiará um sentimento, significará e terá um desdobramento e um feddback diferenciado.

É um trabalho que oscila e nos faz oscilar.


"Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina." (Cora Coralina)

terça-feira, 27 de julho de 2010

Bicicletando.

No trabalho novo conheci um figura. O nome dele é Samir, um negrãozão alto e gordinho, de uns trinta e poucos anos de idade, fala mansa pausada, educador social, futuro pedagogo e adorador de bicicletas. Logo no segundo dia de trampo ele me oferece uma carona, achei que era com um veículo mas não, era na garupa da sua bicicleta. Perguntou se eu tinha medo e eu respondi que não, fomos então. Chegamos muito rápido ao meu destino.

Samir tem várias bicicletas no bicicletário municipal, vira e mexe busca para as crianças do abrigo realizarem atividade ou até mesmo quando não está a fim de levar alguém na garupa (como já fez comigo algumas vezes me colocando pra pedalar). O mais impressionante é a sua bicicleta desmontável, quem vê não dá nada por ela e nem acha que ela o aguenta, pirei quando vi. Ele a carrega dentro de uma super sacola tão grande quanto ele, é o saco do papai noel que toda criança gostaria de ganhar.

Hoje mesmo vim embora pedalando até o terminal, muito boa a sensação, ele disse que sou uma boa ciclista e fui a única mulher do trabalho até agora a olhar para trás antes de atravessar avenidas. Perguntou porque ainda não tirei carteira de motorista, que eu tenho boa percepção e visão do trânsito, fiquei feliz porque mês que vem começo a tirar a carta. A noite no horário que saímos do trabalho a cidade é calma, sem trânsito, ótima pra dar um rolê de bicicleta.

Para o Samir, a Dona Célia e o Danilo grandes pedaladores digo: minha vontade de comprar a bicicleta está florescendo cada vez mais, não tem como fugir, onde vou encontro alguém que me incita a ter uma magrela e quem sabe dia desses eu não desça a serra. Preciso de estímulos apenas isso... estímulos, rs.

slogan de ciclista.


a tal da desmontável, pretinha básica.

a dona caroneira.

Samir o negrãozão e a pretinha básica que o aguenta firmemente.

montanha e a top banana, vão pra Curitiba no fim de semana.

uhuuuuuu! fim de expediente, se preparando para sair pedalando.

chegando no bicicletário pra deixar a dona caroneira.

duas pretinhas básicas.

desmontando... é hora de dar tchau.

aí sim tio!

sacoleiro de bicicleta cheia.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

"Mas é tudo novo denovo...

...vamos nos jogar onde já caímos".
Ando com um pouco de medo, "confundida" com todos esses acontecimentos novos e todos de uma vez, meio insegura. Insegura isso! essa seria a palavra.
O novo sempre nos atormenta, dá frio na barriga, arrepia e faz pensar em onde estarei pisando, porque querer amarrar meu jegue aqui ou até se isso é sarna pra se coçar mais tarde.
Apesar de nomear como "novo" nada é tão novo assim, não há nada do que aconteça agora que já não tenha acontecido antes, mudam os atores mas a prática é a mesma, os medos são os mesmos, com algumas particularidades e singularidades diferentes aqui ou ali, repensando algumas ações e situações pra não errar como outrora, sempre espelhando-se em experiências que antecederam as que ainda virão.
Provalvelmente o medo conceituado seja "receio" de não dar certo, de fazer igual e o desfecho ser ruim igual ou pior, de quebrar a cara, sofrer. O que me deixa bem mais aliviada talvez, seja pensar que não nascemos prontos (apesar de querermos tudo pronto embrulhado e com laço vermelho), as dúvidas, conflitos, inseguranças, insatisfação e exigências (de nós para nós mesmos e dos outros para nós) e toda essa micelânia de emoções e sentimentos são inerentes do ser humano.
Readaptar horários e organismo. Respeitar as diferenças e as diversidades. Realizar ações até então nunca realizadas e ter êxito no objetivo final. Ter uma postura diferente daquela que sempre se teve (em todos os âmbitos) somando a prudência. Estudar teorias, leis, pessoas. Controlar a ansiedade e a adrenalina de um coração que pressupõe uma nova paixão. Começar a viver relações e relacionamentos novos sem cambalear ou tropeçar no erro antigo. Deixar-se envolver por tudo e todos, na literal "se jogar".
Será esse o momento? Tudo pode ser, pra isso seguir em frente é necessário mesmo com todas as reações adversas que o novo há de provocar.
No meio disso tudo, ter cuca fresca e tempo hábil para cuidar e preservar a convivência com aqueles que amamos e injetar dozes de atenção e afeto.
Quando se fecha uma porta pequena outra porta ainda maior é aberta mais adiante. Colocar um ponto final do que teve fim, acordar e ver um sol diferente no céu, celebrar a própria maneira de ser, uma luz que acaba de nascer quando aquela de trás apagou, terminar inventando uma nova canção, nem que seja uma nova versão daquilo que acabou. Tudo novo denovo!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Desempregada.

Algumas horas atrás fui demitida do meu trabalho mas na boa nem me senti triste ou prejudicada por isso. Fato é que eu estava me sentindo incapacitada e duvidando já da minha capacidade profissional. A instituição poderia ter me "sugado" muito mais em termos de idéias, planejamento e execução, enfim, não foi isso que aconteceu e os dias passaram a ficar insuportáveis e insatisfatórios, a cada dia que eu tinha de acordar cedo. Me faltava vontade de estar onde eu deveria estar. Eu nem quis perguntar o motivo da demissão, nada me disseram também de convincente e o motivo já não interessa uma vez que eu estava sendo a mais prejudicada. Os meus companheiros de trabalho ficaram chocados ao saber da decisão, uma até chorou e eu disse que não se sentissem assim porque as situações que acontecem são providenciais.
Vim para a casa da Lú e estou aqui agora tomando um vinho branco e conversando tudo muito tranquilo, é como se um peso tivesse sido tirado das minhas costas. Acredito que de tudo, o que faltou para mim nesse trabalho foi direcionamento e para instituição o que falta é autonomia e coragem em assumir determinadas posições, atos e dizeres.
O que fica são as amizades construídas e a saudade daqueles que sempre me trataram bem e sempre o farão; para os covardes, alienados, usurpadores e demais, tais quais do mesmo saco de farinha também deixo um abraço forte. A vida é isso e o sistema/processo de dominação é isso também. Mais uma experiência que não foi em vão. A caminhada continua.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Um tema pouco discutido.

Discutir a questão racial nunca foi e nem nunca será um tema de fácil abordagem, por fatores ideológicos, pelo não entendimento estrutural e de como se deu essa construção, pela pseudo-democracia racial que muitos pensam existir no Brasil, pela limitação individual ou mesmo pela negação de todos esses fatores.
É um tema pesado, tenso, complexo que mexe com singularidades e particularidades e tudo isso por ser pouco discutido, o que temos para abrir um debate é o que nos foi ensinado na escola na melhor das hipóteses.
Hoje a formação com a Glória e Ana Clara na Escola da Saúde teve esse tema como foco. Passado vídeos, observei pessoas virando a cara para não ver tamanha crueldade, massacre, e açoite em detrimento dos negros desde que em terras ocidentais pisamos. Involuntariamente ou voluntariamente? Não sei. O que sei é que esse tema mexe muito comigo por causa e experiência vividos a flor da pele. Fiquei mal depois por perceber a nulidade diante do fato consumado. O que as pessoas tem por normal é na verdade alienação. O não reconhecimento da Xuxa mostrando aos baixinhos pobres, pretos e favelados o belo café da manhã, o turismo feito na favela pelos gringos, a mulatização e eugenia concebidos e impostos pela hegemonia brancóide.
Logo quando se fala em racismo para amenizar o fardo, diz-se do "racismo às avessas" e nos coloca como protagonizadores da ação, como os maiores racistas, quando na verdade a única coisa para que lutamos é que os brancos se reconheçam enquanto brancos com privilégios e não a pé de igualdade com os negros por conta de uma ou outra situação. Que tenham o entendimento que o racismo é um sistema de dominação, de poder e opressão, sendo assim, até de olhos fechados podemos afirmar que negros não o colocam em prática.
O mais doloroso pra mim foi escutar de um colega de trabalho "branco", depois de tudo mostrado e explicitado que minha exautação no debate era "muita mágoa" em tom irônico, como se viver quase 30 anos da minha vida numa sociedade pré-conceituosa, racista e excludente fosse me fazer sentir contemplada.
A confusão diante dos fatos históricos e até na conceituação e diferenciação das palavras preconceito, discriminação e racismo é notória quando nos voltamos para o tema racismo, confunde-se racial com estética facilmente, o que implica na minimização do fardo branco, novamente querendo se colocar no mesmo patamar de igualdade - ou desigualdade - dos negros, querendo-nos mostrar que são tão vitimizados quanto.
O processo de miscigenação, a ideologia de dominação e o linchamento étnico dos nossos colonizadores deu tão certo que hoje ninguém têm identidade étnica ou racial, o que transforma-se em instrumento fácil nas mãos da sociedade capitalista e racista que estamos inseridos.

Para quem tiver a fim de ver os vídeos que foram passados e que geraram as discussões:

* Amistad

* Quanto vale ou é por quilo?

terça-feira, 11 de maio de 2010

Dependência tecnológica.

Hoje percebi que por influência do computador eu não consigo mais escrever a mão. Estou desaprendendo a escrever com caneta. Minha letra já não é mais a mesma de antes, está feia e garranchada. Eu sempre fui tão prestimosa com meus escritos a mão, caprichava na letra, escrevi em diários dos 14 até os 22 anos de idade, agora... adeus letra redonda de professora do ensino fundamental!
Eu não conto com ajuda de um PC no meu trabalho, por muitos motivos que não vem ao caso agora, mas um que me preocupa e me pega muito pode ser o seguinte: meus empregadores não dispõe de entendimento (ou fingem não dispor) que é um instrumento de trabalho indispensável para um profissional de Serviço Social, necessário para realizar relatórios, ter um banco de dados, realizar pesquisas e etc. Para eles talvez o trabalho de uma Assistente Social não dê a visibilidade que eles almejam. Fico triste e me desmotiva a bessa essa situação mas sigo meu caminho, insistindo até o fim que preciso de um computador a cada reunião ou a cada brecha que encontro.
Não aceito ter que levar o meu computador pessoal para o trabalho, não aceito ter que levar trabalho para minha casa (inclusive aos finais de semana) ou mesmo escrever no papel e passar para o word depois (trabalho em dobro) e me indigna muito e não me convencem todas as desculpas que me deram até agora na tentativa de provar que não há condições de ter uma máquina no meu local de trabalho.
Tive que fazer um relatório de uma visita domiciliar a mão e percebi como foi dificultoso a construção do texto, porque uma vez escrito a caneta não tem como deletar, escrever denovo, recortar e colar a frase em outro lugar mais adequado, que dê mais impacto ou mesmo deixe o texto menos embaralhado, fácil de ler e entender. Sem contar que fica esteticamente mais apresentável e menos provinciano.
Não sei se isso é bom ou ruim, só sei que mostra e afirma o quanto estou completamente dependente dessa máquina; tanto no trabalho (que é bastante necessário) como nas minhas particularidades (desnecessário e digno de desapego). Acho que é necessário sim, repensar a ação da escrita e voltá-la para outras situações que não no trabalho, desenvolver novamente a habilidade, o prazer e a grandiosidade do que é ver se formar uma idéia, idéia escrita literalmente com as próprias mãos.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Ganhei uma flor.


Foi semana passada, ganhei um vaso de cacto do meu companheiro de trabalho, Ailton. Ele realiza oficinas de fotografia no projeto com os adolescentes.

Um cara maluco (no melhor sentido), que me conquistou pela simpátia, pelo abraço apertado e pela fala mansa de português preciso. Deve estar nessa vida há uns 50 e poucos anos, tem muita história boa pra contar, tira belíssimas fotos, manja tudo de massas, vinhos e plantas, faz artesanato diversos, já foi hippie (é um cara mil e uma utilidades) e o melhor de tudo, está sempre num astral magnífico.

O presente na verdade é um tipo de cacto diferente daqueles que estamos acostumados a ver - achei lindo! -, ele me disse o nome e me explicou tudo direitinho mas eu já não lembro mais de nada (displicente que sou), apenas guardei que tenho de colocar água uma vez na semana, porque ele retêm água nas folhas carnudas e deixar em local com bastante iluminação.

A foto quem tirou foi eu, por isso ficou péssima mas não poderia deixar de agradecer pelo presente mesmo que atrasado e poder compartilhar as pequenas delicadezas, dizendo que ainda existem pessoas agradáveis e gentis no mundo.

Valeu querido Ailton!!!!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Gaiarsa, um pioneiro.

José Angelo Gaiarsa, psiquiatra brasileiro, nasceu em 1920, formado em medicina pela Universidade de São Paulo e especializado em Psiquiatria pela Associação Paulista de Medicina, foi o introdutor das técnicas corporais em psicoterapia no Brasil. Há 50 anos desenvolve a atividade de psicoterapeuta. Ele é contundente, controverso, divertido, inteligente e profundo.
No alto dos seus 90 anos ele tem afirmações como: "passei a estudar Reich – ele olhava para o paciente e assim começou a perceber que o inconsciente é visível – porque as pessoas mostram na expressão não-verbal (faces, gestos, atitudes) tudo o que acreditam estar escondendo...” Quase todas as pessoas que se vêem gravadas em teipe mostram muita estranheza com a própria aparência e a psicologia ignora esse fato básico: meu rosto, que eu desconheço, é quase tudo o que o outro vê de mim.
Sobre a espiritualidade, Gaiarsa diz: "O conselho é velhíssimo, mas de todo atual: aproxime-se do aqui-e-agora até descobrir que essa é a única realidade e que essa realidade é criação contínua – um milagre permanente. Buda ensinou um bom caminho: esteja presente à sua respiração, o tempo todo. Essa é a meditação mais simples e a mais eficaz, mas não a mais fácil.
Sobre a sexualidade, ele afirma: “Acho que essa torrente de informações está transformando a sexualidade numa banalidade – forma atual da repressão sexual."


Ontem na Formação que estou participando com duas mediadoras queridas Ana Clara e Glória trabalhadoras na Área da Saúde, assistimos esse vídeo e eu quis postá-lo aqui para quem ainda não o conhece e para que saibamos que existem pessoas sim afim de quebrar todo e qualquer preconceito, estereótipo ou moral descabida que ainda exista nessa sociedade destruidora de identidade e indivíduos. Gaiarsa faz isso com grande excelência. Um velhinho duka. O vídeo é em três partes, assistam vale muito a pena.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Duas metades.

"A sociedade é um complexo de complexos" já dizia Karl Marx, e eu digo o mesmo das pessoas.
As pessoas ao mesmo tempo que são adoráveis também podem ser destrutivas, e ter sensibilidade a esses dois tipos de pessoas é uma prova de fogo. Algumas te tocam no mais íntimo do ser, como estava conversando hoje com dois companheiros de trabalho, chegamos a conclusão de que geralmente as pessoas falam sobre o que gostam, no nosso caso falamos sobre: pessoas (contando causos verídicos da vida social), feminismo (expressando nossa indignação) e sexualidade (colocando que infelizmente o ser humano é dividido em duas partes, condicionado e construído pela sociedade).

Quem puxou o assunto da sexualidade por gostar muito desse tema foi eu e o colega de trabalho tão rápido fez o link colocando a questão do feminismo, logo eu quis explicitar a minha posição sobre ser uma pessoa do sexo feminino com o lado masculino bem perceptível, pois, não fui criada com melindres, os quais toda mulher têm pelo formato de criação indiscutível, onde a menina é partida em duas e só uma metade dela pode exercer a atividade vital - meninas fazem coisas de meninas - assim como também acontecem com os meninos. A outra parte sobrante é sempre coagida, reprimida, oprimida. Perde-se grandes prazeres por essas concepções errôneas e distorcidas.

Sempre tive muita liberdade com minha família em todos os aspectos e por isso meu lado homem é por demais aflorado em algumas circunstâncias. Odeio jogos de sedução vazios mas em contraponto tenho sim meu lado romântico sem submissão. Pinto as unhas de vermelho mas se tiver que falar grosso também falo, luto pelo tratamento igualitário, vontades, desejos e ações.

Enfim... quando falamos sobre as pessoas, sitamos nossos filhos e a criação deles para a vida social e em nada senti vergonha de dizer que estou em constante processo de aprendizagem no quesito ser mãe, é difícil pra caralho, uma construção contínua e ininterrupta e eu erro muito ainda.

A conversa pela manhã foi grandiosa, rendeu boas reflexões, foi até muito além do que expressei aqui. Já a tarde o clima neblinou, outro nível, quero dizer baixo nível: pessoal e intelectual. Outros assuntos nada agradáveis com outras pessoas do trabalho que não os da conversa pela manhã, pessoas esguias, completamente na defensiva sempre, acreditando que tudo e todos representam perigo (fantasiam inimigos imaginários), literalmente tarefeiros, todas cheias de si com intimações descabidas, vozes alteradas, grosserias. Eu estou me poupando, não quero entrar em debates ou discussões por coisas mixas, mesquinharias e mesmo assim conseguiram, roubaram ou melhor sugaram minha energia. Eu cambaleei, corpo trêmulo, minhas mãos começaram a suar, olhos marejando, tive de sentar. Sabia que mesmo com o som de palavras não saindo das suas bocas eu estava sendo colocada na mira de insultos. A raiva consome não só aquele que a sente mas também a quem ela é destinada.

O poder ou a falta dele são dois grandes fator-causa das maiores "catastrofes" sociais na civilização. E bato na tecla que o mais importante é nos reconhecermos enquanto indivíduos, seres humanos, classe social e pararmos de querer atacar aos nossos próprios irmãos de luta.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Prestação de Serviço?








Trabalho nos Centros Comunitários em dois grandes núcleos habitacionais de Santo André (vulgo: Favela) entre algumas "bocas ou biqueiras" como preferir. Medo? Nunca tive, moro na periferia e nada do que eu veja vai ser novidade, não é nada que os noticiários não mostrem cotidianamente. Pra trabalhar na área social não se pode ter medo deve-se ter é indignação. Se achas que já viu um desgraçado sempre terá um desgraçado maior mais a frente mas quem liga? São apenas números, estatísticas, mais um que deveria morrer mesmo, era um "drogado", mais um que deveria mesmo ser preso, era um marginal e por aí vai, torna-se normal, as pessoas se acostumam a ver mortos em frente das suas casas, a ver os carros de polícia invandindo a sua casa, a sua comunidade e os burgueses sentem medo e apoiam qualquer atitude que os preserve.

Hoje durante o trabalho aconteceu algo diferente, eu já imaginava que fosse dessa forma mas foi inédito para mim presenciar como é a captura. Algumas estagiárias de Produção do SBT chegaram no local que eu trabalho à procura de "Contatos" para um programa chamado "Casos de Família" e conversaram com três senhoras moradoras da comunidade que a esperavam. Eu quis ver e ouvir de perto o que as estagiárias diriam sobre isso, que é considerado um "emprego" na sociedade, afinal elas - as estagiárias - também são assalariadas.

Esses "Contatos" tem denominação de "trabalho sem vínculo empregatício" pela produção do programa, é assim: esses "Contatos" são intermediadores/caçadores de outros contatos, ou seja, buscam histórias de pessoas na comunidade que se encaixassem com os títulos dos programas a serem gravados e em troca ganham um valor por cada contato feito e tanto esses "Contatos" como as pessoas capturadas assinarão um contrato com a produção no intuito de contar a sua "história" verídica diante das câmeras em rede nacional e internacional, essas pessoas também ganham um valor pela exposição da sua vida particular.

As estagiárias, 4 patricinhas no meio de uma das favelas mais perigosas de Santo André a captura de pessoas reais, que façam a captura de outras pessoas reais para dar audiência ao programa sensacionalista, com poder de convencimento até que razoável para uma população carente, com deficit de necessidades variadas e vivendo a crise do mundo do trabalho. Fácil? Sim, afinal elas estão no lugar certo na hora certa. Díficil foi eu conseguir ficar naquela sala depois de ouví-las dizer em tom de benevolência que "as pessoas que vão ao programa ganham muito com isso, a produção vem buscar e trazer do programa, pagam alimentação, cachê, maqueiam e ainda se a pessoa não tiver dentes é colocada uma prótese custeada pelo programa para que possam aparecer bonitas na TV, são todos benefícios, em troca devem expor seus problemas e até se estapiarem diante das câmeras se for preciso mas nem todos os casos são agressivos tem alguns mais leves e engraçados". E eu ainda quis tirar uma onda dizendo "ahhh! é tipo uma prestação de serviços!?" elas me deram um sorriso amarelo e não disseram nada, sei lá se entenderam a piada, que era elas - as estagiárias - estarem ali prestando aquele papel.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Sincericídio.

Sim, eu cometo sincericídio. Não todos os dias, mas quase sempre. Tenho necessidade de falar a verdade. Não que ela venha de forma atirada, sem as pessoas me perguntarem o que penso. O problema é que quando perguntam, geralmente eu falo. Mas só falo o que realmente penso para as pessoas que me importam de verdade. Para os amigos mais íntimos, para quem realmente amo. É porque acredito que se não posso mudar o mundo, posso, ao menos, mudar o mundo à minha volta. Às vezes as pessoas precisam de um empurrão. Às vezes as pessoas não entendem esse empurrão. Às vezes eu me empurro no precipício mais próximo rumo à morte das minhas observações. Agora uma coisa é certa, eu sou sincera quando a principal interessada sou eu. Não mudo minha vida e minhas idéias pelo preconceito de ninguém, pela má vontade alheia ou pela ignorância dos demais. Acredito em mim! Sou um ser em extinção. Acredito que minha vida pode e vai melhorar, que meus planos vão se tornar reais e que tudo será ainda mais belo e perfeito do que é hoje. Egoísmo? Quem realmente tem é aquele que acha que eu não preciso buscar minha felicidade em prol da harmonia da sociedade. Sinceridade? Esta está à flor da pele!


*Texto tirado do blog "Prefiro Suco"


COMENTÁRIO:
Vi este post num blog e gostei, pedi permissão, copiei-colei, não por acaso mas é que estou vivendo um lance mais ou menos assim, porque vai além de simplismente dizer a verdade. Eu sou bem nesse naipe como a moça escreveu, e já fui mais! Hoje sou menos e mesmo mudando, uma vez assim, pra sempre assim ou ao menos as pessoas acreditam que pra sempre serás, estereotipam a ti por toda a sua vida amém! Mesmo me resguardando, ouvindo mais e falando menos ainda levo os louros da pessoa polêmica, que de certa forma dá problemas, talvez por conta da minha ideologia, daquilo que acredito e quero/preciso socializar com as pessoas. E quando determinadas pessoas exercem um cargo de poder de decisões aí a situação piora. Por ego ou questões políticas essas pessoas podem te deixar na merda, apenas pra provar que podem, pra calar tua boca porque o que você diz não é conveniente para elas que fazem parte de um grupo que possui uma ideologia contrária a sua e deseja manter um terceiro grupo sob controle e sob seus cuidados (mesmo sem cuidado algum). E tudo independente do ser em questão ser bom o suficiente nas suas atribuições.
Na boa, eu já sabia que isso aconteceria, só não acreditava que iriam me aceitar mesmo assim. Sei que vou ser vigiada e coagida a todo momento. Por isso, forçosamente aprendi a deixar um pouco a ideologia de lado (em casos estratégicos como este, lógico!), afinal preciso de dinheiro, preciso de qualidade de vida (existem coisas que só o dinheiro paga) e tals. Minha ideologia será sempre a mesma, meu senso de justiça, minhas lutas e causas e tudo que eu acredito continuarei a acreditar, no entanto, terei que engolir vários sapos para que outras coisas possam se ajeitar em minha vida. Vamos ver até onde eu consigo ficar com a minha boca fechada, pois, não será por agora que poderei falar ou continuar falando o que penso. Infelizmente perde-se muito quando se fala tudo. Fazer a política da boa vizinhança, levar na bolinha de meia, acredito que nesse momento o mais importante é que eu deva ser sincera comigo mesmo, me dará menos prejuízo.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

É tudo questão de endorfina.

No planejamento estratégico do meu novo trabalho tivemos uma palestra "tosca" ao menos pra mim e mais meia dúzia de companheiros sobre "Terapia do Riso", total auto-ajuda (odeio!). A palestrante era chata, pulava e gritava - parecia estar possuída - a todo momento no microfone super alto com a voz estridente querendo chamar a atenção da platéia, fazendo piadinhas nada originais, ela não era nada engraçada, repetitiva em demasia, não-interativa (ninguém falou uma palavra a não ser ela), palestra demorada, massante. Fora que ela é evangélica e misturou Deus com terapia do riso, com trabalho social, uma massaroca de assuntos, quase uma pregação do evangelho sagrado.

Tanta gente boa para se apresentar e tratar de assuntos realmente relevantes para a área social e que poderiam vir a somar. Acredito que fugiu o foco, seria ótimo para outra realidade essa palestra talvez a área da Saúde. Enfim, quem a contratou sentiu afinidade com ela e com o tema e talvez tenha sido quem mais gostou, ou estivesse precisado de escutar isso. E no fim das várias horas de cansaço mental ela ainda quis comercializar o seu livrinho de bolso, foi demais.

E não vou só criticar, há de se ver o lado bom de todas as coisas e situações. E minha intenção não é desmerecer o trabalho dela, não coube para mim, deixo bem claro, mas ela estudou e se impenhou nesse projeto. A palestrante falou algumas coisas verdadeiras (principalmente a pequena pauta sobre filhos, parte que me pega em muito, já que sou um ser humano falho) e uma pauta que gostei foi sobre "lavar a alma".

Aquela velha frase "voltei de alma lavada" e "quem canta seus males espanta" é totalmente um processo químico, quando vamos à um show e cantamos (ou mesmo embaixo do chuveiro, fazendo faxina...) com todas as nossas forças aquela música que tem tudo a ver com a gente ou realizamos alguma atividade que gostamos muito liberamos endorfina, que é um neurotransmissor e uma substância química utilizada pelos neurônios na comunicação do sistema nervoso, produzida em resposta à atividade física, visando relaxar e dar prazer, despertando uma sensação de euforia e bem-estar. Sendo assim, voltamos na verdade endorfinados.

Eu já era sabida de todo esse processo, talvez muita gente saiba, uma vez que não é nada de outro mundo mas socializar pra somar é vida.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O dia em que os favelados desceram o morro.

O convênio com a ONG que eu trabalho foi cancelado, os motivos ainda não são claros para todos juridicamente falando, mas são óbvios para nós do coletivo de trabalho. O maior detalhe é que estamos desligados dessa instituição desde o dia 31 de outubro de 2009, no entanto, não bastasse não termos materiais e coordenação pedagógica, comer lanches e marmitex porcos, tamanho é o descaso com educadores e educandos que nem avisados fomos, se não fosse a pressão por todos os lados até agora não estaríamos sabendo que somos o mais novo "exército de reserva" do Grande ABC.
Tudo continua na mesma, sem receber e sem saber se isso vai acontecer, o presidente da ONG é um canalha, desviou dinheiro na caruda, está até andando de carro zero pela quebrada, fora os demais bens duráveis que ele comprou e as notas frias que ele apresentou pra Prefeitura de Diadema, segundo a própria gestão. A corrupção cresce cada dia mais, vemos pelo jornal, lemos no jornal e de repente ela bate aqui na nossa porta e dessa vez sem o minímo de desfaçatez e com um nível elevadíssimo de burrice.
Mas hoje o contexto se modificou, juntamos alguns educandos e fizemos um manifesto, fomos do bairro Serraria até o Centro da cidade na frente da Secretaria de Assistência Social, com cartazes e gritos de guerra durante todo o percurso. Nossa pauta de reivindicação eram as bolsas-auxílio dos educandos e os salários dos educadores ambos atrasados há dois meses. Foi bacana a atitude dos nossos pequenos "revolucionários", conseguimos causar um tumulto, deixar algumas pessoas da repartição pública em choque com medo dos adolescentes "favelados que desceram do morro" para fazer baderna e até acionar aqueles tais cavaleiros azuis para nos amedrontar foi preciso. Agora vamos ver se teremos uma resposta concreta dos políticos ou se mais uma vez, de mais um lado seremos ludibriados também por mais essa instituição.
Outra ONG assumirá esse projeto, provavelmente a segunda ou terceira colocada pela licitação e mais provavelmente ainda não faremos parte desse grupo de trabalho. E segundo o Secretário de Assistência Social a bolsa-auxílio dos educandos serão pagas assim que a nova instituição assumir. Quanto aos nossos salários não houve mediação, logicamente eles se eximiram de qualquer culpa, culpando a todo momento a instituição contratante (que de fato tem grande parcela de culpabilidade) para tirar o cú deles da reta, alegando que quem nos deve é a ONG que trabalhávamos e foram repassadas parcelas com valores altos para a mesma a fim de que cumprissem com todas as questões técnicas do projeto e pagamento da mão de obra. Disseram que a questão é a seguinte: ou ele devolve todo dinheiro que desviou e vende os bens duráveis que comprou ou no mínimo será procurado pela polícia e sem choramingar passará um longo período mandando salve por de trás da muralha. (o que eu duvido muito, estamos no Brasil!)
Amanhã nas páginas dos jornais Diário do Grande ABC e no Diário Regional a nossa manifestação estará lá. Nós Educadores Sociais acreditamos que só a massa trasnformará a iniquidade em equidade e que esses movimentos são válidos sim, melhores até do que qualquer aula teórica, pois, só assim aprenderão a reivindicar por seus ditos direitos de cidadania regulamentados por lei. "O movimento é a ampliação do berro" frase bonita, de impacto e verídica dita por Terezinha Ferrari, professora de Sociologia que leciona no curso de Ciências Socias no Centro Universitário Fundação ABC.
Estamos aí para sensibilizar a consciência! (essa frase é minha)


Diário do Grande ABC:


Diário Regional: