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"Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm." (1 Coríntios 10:23a)

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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O que ficam são as lembranças.

Faz mais de um mês que venho lembrando da minha avó com frequencia diária. Sinto a presença dela bem mais forte ao meu lado por esses dias. Lembrei-me que ela ficava escutando rádio na cozinha - na verdade acredito que a cozinha fosse o lugar predileto dela - por condição ou por gosto sei lá.
Quando tocava um modinha de seu tempo no rádio ela me puxava pelo braço e rodopiava comigo cozinha a fora, dizendo que era assim que dançava nos bailes da sua época.
Mulher de Deus minha avó Zezé, sempre em comunhão, orando, lendo a bíblia, falando palavras agradáveis e de conforto ou até mesmo deixando recadinhos e versículos espalhados pela casa ou em minha gaveta.
Sempre que tocava um louvor chamado "Purifica-me" eu pedia pra que ela aumentasse um pouco mais o rádio, era e ainda é um dos louvores que eu mais gosto. Aprendi desde muito cedo a conviver com o Espírito Santo de Deus e seu filho Jesus Cristo dentro da minha casa, às vezes com gosto, às vezes a contragosto mas presente em minha vida.
Fica para vocês o louvor o qual lembro com intensidade de momentos bons que tive na companhia da mulher que me criou, me educou e me amou. O que ficam mesmo são apenas lembranças e o sentimento de que ela olha por mim onde quer que esteja.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Que tempo bom...

Rui:
Salve menina Camilla!!!!
Olha que barato; tava eu vendo minhas papeladas e o que ainda é útil para mim... nessa odisséia achei um "Cadernos Conselhos", que vc me deu de presente. Mas o mais bacana de tudo é que, no dia, eu pedi para vc fazer uma dedicação, aí acabamos fazendo uma mini-poesia juntos, sendo escrito por vc... vou reproduzir, vê se vc lembra:

"No dia que você me beijou e deixou seu brilho nos meus lábios opacos, mesmo que voce fosse gay, ainda assim não deixaria de ter sido mágico. - Camilla 27/03/2007".

Depois que eu li passou um filme na minha cabeça, estavamos sentados ao lado de fora da Faculdade, esperando a aula começar... muito bom!!!!
Bjos e muitas saudades!!!!

terça-feira, 2 de março de 2010

sem título

Talvez nesse momento eu não consiga dizer o que quero dizer com precisão, talvez eu não me faça entender, talvez eu pareça meio perdida nas palavras, fato! realmente estou e não só nas palavras. Mesmo assim prestem atenção talvez consigam pegar o gancho em alguma coisa, palavra ou sentimento que eu tente expôr nisso tudo.
O amor pra mim é utópico acredito nele apenas como mito, alguma coisa que um dia aconteceu com alguém, comigo por exemplo e não creio que acontecerá novamente, digo o amor recíproco, porque amar eu posso amar, isso não quer dizer que alguém também me amará. Perdi a credulidade no amor recíproco e se precisar disso pra que eu seja "feliz" (construção humana)acho que serei infeliz um tanto, não mais acredito.
Faz tempo que eu não chorava, que não sentia saudade assim, na verdade sinto em pequenas coisas, singelezas do cotidiano, contudo, consigo usar ainda o auto-controle que me resta, não se faz mais desesperador como antes, apenas em determinados momentos em que há uma explosão de sentimentos e ânsias que já deveriam ter sido mortos e se eu não colocar pra fora morro engasgada, tipo aquele lance de matar o mal que te mata. Às vezes ainda consigo pensar que exista um equívoco na minha fala, no outro instante caí por terra essa hipótese porque chega a dor e mostra a real.
Alguém me disse "pare de viver apoiada em discursos, viva mais, se joga" na hora eu choquei mas pensando bem tem sentido, o que não tem sentido é o amor e é por causa dele que estou vivendo apoiada em muletas. Sei do mal que estou atentando contra mim mesmo vivendo dessa forma e muito menos quero que alguém sinta dó, apesar de ser digno. Não sou covarde, enfrento. Busco por soluções, estratégias, muitas vezes de fuga mas não estou dormindo o tempo todo e nesse tempo acordada penso e coloco algumas estratégias em prática, talvez não as melhores ou mais convenientes diante de um coração viciado como o meu, talvez eu não esteja indo na direção certa mas chegarei lá. Está tudo travado, é sempre mais fácil pra quem vê de fora.
E só pra fechar, loucuras a parte: não existe amor ou tesão que valha a coerência e o bom senso, por isso não esperem muito de mim nesse sentido. MEDO DO NOVO ou MEDO DO VELHO?

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Sonho bom.

Ontem sonhei com a Vó Zezé. Eu abria a porta da cozinha e via descendo a escada de madeira em frente a porta, hora estavámos na casa velha hora na casa de agora. Ela descia a escada devagar, um pé após o outro sempre ficando com os dois pés em cada degrau. No sonho ela me dizia enquanto caminhava ao meu encontro:
- Sua Tia Ivanir me disse que você estava com saudade de mim! Eu vim te ver!
E adentrava a cozinha, sorrindo. Eu fiquei estupefada nem consegui dizer palavra nem mesmo me movimentar tamanha era a emoção, fiquei a fitá-la passando por mim.
Minha casa continua em construção e logo escutei a voz do pedreiro que me acordou. Droga! Um sonho tão bom e não deu tempo nem de abraçá-la, ter qualquer reação ou perguntar-lhe algo! Desde que foi para outro plano astral poucas foram as vezes que sonhei com ela, acho que dá pra contar nos dedos. Há tempos que não via minha avózinha tão nitidamente, senão em fotos: vestida com um casaquinho salmon e saia clara até os joelhos. As pernas estavam curadas e não mais existiam aquelas feridas causadas pelas varizes que tanto fizeram-na sofrer durante anos, semblante sereno, ela vinha descalço, cabelos curtos, continuavam grisalhos mas a sua face dava a singela impressão de estar rejuvenecida.
A noite perguntei a Tia Ivanir e depois a Tia Célia qual a roupa que a Vó Zezé tinha sido enterrada, só para ter certeza de que ela viera de fato me fazer uma visita (e indiretamente dizer que eu me acalme), pois, não me recordava da sua vestimenta e elas me responderam ser exatamente a mesma roupa do meu sonho.
Acordei brava pela voz do bendito pedreiro ser tão alta, ele ser tão incoveniente e por ter acabado com meu sonho mas em contrapartida tão, tão feliz por tê-la visto, o coração meio apertado de saudade, os olhos lacrimejaram mas não chorei para que ela não se sentisse triste, afinal lhe deram permissão para viajar até aqui e ela veio com alegria. De tudo e por tudo, sei que existem espíritos bons ao meu lado. Sinto muitas saudades.

Fazenda - Milton Nascimento
Água de beber
Bica no quintal
Sede de viver tudo
E o esquecer
Era tão normal que o tempo parava
E a meninada respirava o vento
Até vir a noite e os velhos falavam coisas dessa vida
Eu era criança, hoje é você, e no amanhã, nós
Água de beber
Bica no quintal
Sede de viver tudo
E o esquecer
Era tão normal que o tempo parava
Tinha sabiá, tinha laranjeira, tinha manga rosa
Tinha o sol da manhã
E na despedida,
Tios na varanda, jipe na estrada
E o coração lá

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

frases da vovó Zezé...


"É Bebé, mamar na vaca se num qué né!?"

"Mais amor e menos confiança!"


Me peguei reproduzindo estas frases para a Elisa agora, lembrei que minha avó me dizia essas frases quando eu estava querendo agarrá-la e beijá-la ou quando achava que eu estava tentando engambelá-la.
Minha avó! Durante a sua vida gerou 10 filhos, criou 5 filhos dos que viveram, 1 sobrinho e 2 netas das quais uma era eu. Mulher guerreira, alicerce da casa, autêntica nas palavras, autonôma em suas ações, incapaz de fazer mal a alguém, fervorosa era sua fé. Escrevia poesia e cheirava a lavanda. Costurava, bordava e crochetava. Gostava de chupar laranja-lima, fazer doces de compota como boa mineira e seus pásteis eram divinos. Fala mansa, quando brava a voz sumia, sotaque fino, alta e magra, pele despigmentada, cabelos lisos bem lisos, presos numa trança que virava um coque, lisos provenientes de sua herança indígena. Sono leve acordava com qualquer barulho, no entanto, gostava de acordar tarde. Cantava músicas do Noel Rosa e sempre me tirava pra dançar. Nunca me batia e quando ia receber o benéficio mensal do meu avó Adelino (deficiente visual) me levava sempre com ela, me dava sempre um dinheirinho e comíamos pão-de-queijo na Praça do Carmo, compravamos biscoitos de polvilho e balas dadinho. Me chamava de "Benzoca da Vovó". Deixava bilhetes dizendo que me amava e falando sobre a palavra de Deus espalhados por lugares que sabia que eu acharia. Me levava para a natação no Del' Antônia, ela mostrava a carteirinha para o motorista do ônibus e eu adorava descer pela porta da frente, sentia-me superior aos outros passageiros. Fazia batata-frita para o almoço mas só começava a fritá-las quando me via da janela da cozinha descer a rua da escola devolta pra casa. Pra adoçar minha pequena vida de criança criada pela avó comprava melzinho na farmácia e me dava um por dia, quando não, me fazia balas de acúçar caramelado pingadas na água.
Viveu até 80 anos. Infelizmente foi morar em outro plano astral meses antes de eu ficar gestante, o que me deixou triste por não ter conhecido a bisneta, tenho quase certeza que cuidaria dela como cuidou de mim.

PS: sempre me perguntei quem teria sido o Bebé (?) o cara que não quis mamar na vaca.

sábado, 25 de julho de 2009

Um dia...

...a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos. Saudades até dos momentos de lágrimas, das angústias, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, dos trabalhos da faculdade, enfim... do companheirismo vivido.

Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre (senão continuam o que dizer então das paixões e amores). Hoje não tenho tanta certeza disso. Em breve cada um vai pro seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados. Podemos nos telefonar conversar algumas bobagens... Aí os dias vão passar, meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Infância que não foi perdida.

Uma semana na casa nova. A internet só foi instalada hoje e isso depois de mais ou menos umas quinze ligações e muitas informações sobre o assinante da linha. Está tudo meio bagunçado ainda, encaixotado, só o que consegui colocar em ordem foram os livros na estante nova que comprei e meu guarda-roupa. O pedreiro ainda se faz presente na obra e por sinal faz também sujeira, bagunça e barulhos irritantes que me dão arrepeio, fica alisando a parede com a massa fina como se fosse a bundinha da Sra. sua esposa, de repente ele pára analisa e vê que ficou ondulado e volta a alisar novamente isso tudo às 07h00 da manhã, ninguém merece. Construção é foda! e ainda temos mais cômodos sendo construídos acima, será um sobrado. Está ficando tudo muito bonitinho mas na boa enche o saco não poder andar de meias no chão e depois deitar na cama porque enche o lençol de areinhas.

Ainda quando entro e não vejo mais aquela casa que morei minha vida inteira ainda me dói o coração, não me adaptei, olho e consigo visualizar cada cômodo da antiga casa. Agora são só escombros, restos de tijolos e terra. Quando a casa foi demolida eu chorei com todo sentimento, estava indo ao chão também todos os momentos que vivi ali, todos virariam a partir daquele momento lembranças.

Lembrei dos meus avós, da avó Zezé na beira da mesa chupando laranja-lima e do avô Adelino de boina escutando radinho de pilha debruçado na mureta da varanda, da família reunida nos almoços de domingo e que depois com o falecimento de ambos isso se tornou esporadico, a casa nunca mais ficou cheia, e mesmo que estive não estava.

Lembrei das tardes da minha infância quando se podia brincar na rua até tarde sem perigo da violência que hoje limita nossos filhos a não passarem do portão, as brincadeiras de pega-pega, esconde-esconde, mão na mula, marreta, jogos de futebol com golzinho, dos jogos de vôlei com a rede amarrada no portão dos vizinhos, os pipas, a bicicleta e os patins.

Lembrei do meu primeiro beijo, quando tive que dar aquela volta no quarteirão e ele veio de um lado e eu de outro, foi um beijo rápido e estranho, aquela língua, eu tremia dos pés a cabeça e depois saí correndo feito uma maria da horta e entrei esbaforida dentro de casa. Quantos planos precoces e platônicos não foram feitos depois disso e durante toda minha adolescência sentada na escadinha da varanda. E os amassos na garagem, coisa de hormônios a flor da pele.

Da minha casa eu escuto os gritos dos alunos e a torcida, são os jogos interclasses, na minha época também era assim eu fui capitã dos meus times de handboll e quantas vezes não fomos campeãs. Tenho as medalhas rústicas até hoje. Fiquei mesmo feliz quando meu professor de Geografia que também era de Educação Física me indicou para o time da cidade (eu joguei no Santo André) e não precisei nem fazer peneira, cheguei e o técnico disse: -se você foi indicada por ele eu confio!, mas não durou muito tempo, porque eu conheci meu amigo cigarro, meu condicionamento físico caiu e eu desisti do esporte.

Lembro das noites e madrugadas em que passamos sentados - eu e meus amigos - na esquina tocando violão, cantando, bebendo vinho da Adega do Ticão e conversando, tempos bons e de pouca responsabilidade.

Lembro quando entrei com minha filha nos braços pela primeira vez naquela casa, era um novo membro que faria parte dela e nos traria alegria. Era vida novamente àquela casa.

São tantas histórias para contar desse lugar que vivo desde que nasci que sou capaz até de me perder nos detalhes, agora só preciso me readaptar, sei que já não faço mais parte desse lugar, nem desse contexto periférico, dessas pessoas mas por enquanto é o que tenho.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Cidadã Bernardense.

Para usufruir dos serviços públicos de um munícipio, a regra é clara, deve-se comprovar tempo de residência no mesmo, 06 meses ou nada feito. Sendo assim, eu me denomino e entrego a mim mesmo o honorário título de Cidadã Bernardense. Moradora da Rua Taubaté no bairro residencial Baeta Neves há 01 ano, aproximadamente 9 minutos a pé do Centro de São Bernardo do Campo. Agora possuo dupla municipalidade.
Vou sentir falta dessa cidade, que faz frio até no calor, desse bairro calmo com cara de bairro de velhinhos, onde eu podia chegar a hora que fosse e a calma e o silêncio pairavam no ar. No começo foi difícil me adaptar a uma cidade, uma casa, um quarto e um banheiro que não eram meus. A saudade das pessoas que eu amo, tudo isso foi muito complicado. Agora penso como me readaptar numa terceira casa com tudo novo denovo. Sentirei falta desse meu quarto pequeno e apertado, cheio de caixas e colchão no chão (por opção), o cantinho da barbárie onde fica o computador, a janela, oh! a janela! que foi minha companheira e que todo dia me mostrava coisas diferentes, nunca era a mesma paisagem. De tudo um pouco aconteceu aqui dentro desse quarto no começo sorumbático mas agora revendo tudo que vivi penso que foi o lugar do meu auto-conhecimento, de uma solidão reflexiva e construtiva. Fui feliz nessa casa e também passei por maus bocados. Aqui quase que acabo com minha vida e aqui agradeci por não ter conseguido. Sentirei falta da Tia Bete me fazendo rir.
Lembrarei das caminhadas que fazia no Parque da Juventude ao entardecer, do bar-lanchonete-restaurante na Av. Armando Ítalo Setti que tantas vezes fui almoçar por pura preguiça de fazer comida, me serviam uma comidinha caseira com gosto de família. Andar de a pé na Av. Marechal Deodoro em dia de pagamento. Fará falta os jogos de handboll que eu assitia no Baetão. Os shows na Câmara de Cultura, os filmes que vi na faixa no Teatro Cacilda Becker. Os passeios no Riacho Grande e as porções de porquinho com cerveja. As visitas noturnas e rápidas de pessoas especiais. Grande experiência foi trabalhar na comunidade do Areião, uma das favelas que dá para ver da Via Anchieta. Vai fazer toda diferença na minha pequena grande vida essa temporada que passei nessa cidade. Sentirei falta até do trajeto do ônibus 06 e do pueirinha 238.
Eu estava com mais dificuldade em aceitar que terei de me mudar denovo, de fato mexeu com meu emocional, precisei de dois dias internada no meu quarto introduzindo em meu cerébro afetado a idéia de que é chegado o momento e será melhor assim.
Já estou a arrumar minha mudança, não é muita coisa, roupas e livros, móveis mesmo não tenho aqui comigo, já estão todos na casa que vou morar, comprei uma estante de livros nova e também um microondas que já foram entregues lá. Me mudo no domingo pela tarde, uma amiga fará meu carreto. Estou ansiosa e um pouco insegura, voltarei para perto da minha família, a volta não é fácil, acostumar com a rotina da família denovo e principalmente com o jeito estranho da Sra. Ivone Dias não será nada fácil. Na próxima postagem já estarei em Santo André na casa nova. Aqui deixo minhas estimas por São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil. Até mais.

PS: arrumei um emprego novo, os anjinhos da guarda estiveram comigo hoje todo o tempo, por onde eu andava via um, não precisei dar resposta nunhuma simplismente me mandaram ficar, não mais precisarei fazer a viagem longa, tudonovodenovo!

São Bernardo do Campo (vista áerea)

Parque da Juventude e Av. Armando Ítalo Setti

Câmara de Cultura (Av. Marechal Deodoro)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Bicicleta e máquina fotográfica nas Casas Bahia têm!

Estava conversando com a minha tia Bete, perguntei sobre uma bicicleta azul que ela tinha e recebi a notícia que o namorado dela vendeu. Seria bacana ter uma bicicleta agora, eu iria ver minha filha na casa da avó onde ela está passando o final de semana, bateu saudade do meu pequeno pretinho.

Hoje é dia 01 de maio Dia do Trabalho e ao invés de ser uma manifestação, uma reivindicação à melhoria das condições de trabalho e salários, um movimento de classe, isso vira festa. Afinal convenhamos brasileiros adoram festa e feriados, tudo vira forró e pagodão, acabando muitas vezes em pizza, não interessa qual feriado seja e nem o que ele representa. No entanto, as gestões públicas municipais fazem de tudo para não instigar a consciência crítica de seus eleitores e população num geral, contratam uma par de artistas midiáticos para se apresentarem nos parques municipais e tocarem suas músicas produto da indústria cultural e o povo se diverte. Para mim pura perca de tempo, o lazer se resume em ver o Daniel ou o KLB cantar suas musiquinhas de corno. Sei lá "cada qual com seu James Brown, salve o samba, hiphop, reggae ou carnaval" (by O Rappa).

Respeitemos a vontade popular ou será à vontade imposta a vontade popular. É bem mais fácil incubrir a verdade colocando a "suposta cultura", assim abafa-se o caso e ninguém tem tempo de pensar no que realmente interessa, pensar só na roupa que vai colocar para ver o artista X e tomar uma cervejinha porque afinal eles merecem, trabalham a semana inteira, proletariado sem recurso para pagar um Cred Car Hall, ofereçamos o que há de melhor então nessas datas e feriados comemorativos. Mas também existem os alegres que não gostam de nada disso mas vão mesmo assim, eu me enquadro na turma dos alegres, talvez eu fosse até lá mas de alegre, rs!

Voltando... a bicicleta seria uma estratégia e eu poderia ir ao parque de bike também - não em datas e feriados comemorativos, não gosto de muvuca e muito menos desses artistas sem conteúdo - pelo menos para mim -, fazer um exercício, minimizar o meu sedentarismo, ir na casa de um peguete, de uma amigo, sei lá, coisas desse gênero. Ah! para acompanhar tudo isso eu poderia ter também uma máquina fotográfica (digital afinal estamos na era da tecnologia e da globalização) e assim unir o útil ao agradável, fazer um passeio de bicicleta me exercitar e tirar fotos das pessoas, paisagens, coisas do cotidiano. Interessante! acho que assim que receber meu FGTS vou comprar os dois nas Casas Bahia.

Camilla, Parodiando: Consumidora, porque afinal tenho a dedicação total à mim.

domingo, 1 de março de 2009

Suportando o meio-tempo com resiliência.

Acordei sem nenhuma vontade de trabalhar. Pensa! trabalhar no domingo num sol de 30º graus quando eu poderia estar sentada na calçada de um botequinho vestindo meus óculos de sol e uma bermuda básica, degustando não só a boa cerveja nacional trincando de tão gelada mas também a companhia de agradáveis amigos, boas conversas e prazerosas risadas.
Enfim... fui! mas também levei a minha companheira flauta. Eu já disse infinitas vezes que domingo é pura ociosidade naquele lugar de labuta mas eu falando e o burro cagando... qualquer semelhança é mera coincidência!
Meus companheiros de trabalho saíram para o percurso rotineiro e eu fiquei incumbida de ficar na sede, estudei um pouco de música mas meu cansaço se fez maior, cansaço de trabalhar em dois empregos e ter uma vida social ínfima ou imperceptível a olhos nus, encostei minha cabeça sobre a mesa do computador e tirei um singelo cochilo, quando de repente entram dois Guardas Civis Municipais e acordam a bela cinderela preta. Acordei e comecei a pensar que desde alguns meses venho suportando todos os meu desabores com total resiliência.
Os colegas retornaram e nós começamos uma conversa, uma boa conversa, lembranças dos tempos de criança, dos "causos" que nossos avós contavam. Senti saudade dos meus avós por conta disso, meu coração ficou apertadinho de tanta saudade, saudade inclusive do pastel que minha avó fazia tão bem e que em minha gestação senti muita vontade de comer - minha boca enchia de água só de pensar - e infelizmente ela já não estava mais comigo para poder fazê-lo.
Pronto! tarefa cumprida ou cumprida a contra gosto... término de plantão e expediente, deu meu horário, ainda consegui pegar uma carona com o motorista e um colega de trabalho que estavam indo levar algumas pessoas para o Albergue Municipal (o "mestre" - como nos referimos ao motorista - ele é ótimo, una persona bem grata perante toda a equipe). Cheguei em casa alguns minutos mais cedo que o habitual, liguei meu computador, coloquei "Enya" para tocar no rádio, acendi um incenso, conversei um pouco com algumas pessoas que estavam online, me deitei e comecei a ler um livro. Chorei. Novamente adormeci e só acordei agora.
Minha vida está sendo pensar, pensar e pensar. Estou no meio-tempo, onde preciso renunciar algumas coisas, pessoas e situações para que possa abrir caminhos para outras; momento em que continuo a fazer a limpeza na minha casa interior; encontro com a minha alma; solidão; momento de perdoar, de jogar fora o que não serve mais; é a quebra de padrões de comportamento; encontro ainda maior com a minha espiritualidade, rezar, pedir força; contato comigo mesmo e com as experiências já passadas relacionando-as a reflexão sobre o que vem acontecendo comigo no presente; manifestação das emoções e o não embate com a exteriorização dos meus sentimentos; questionamento das minhas ações e reações diante do mundo exterior; questionamento sobre o que eu espero de mim, das pessoas e do mundo quando de trata de amor, relacionamentos e profissão; reconstrução do meu amor-próprio; aprendizado, como lidar com a perda das pessoas; questionamento quanto as minhas verdades; perguntas e mais perguntas, incertezas, confusão. O meio tempo é a pura reflexão a respeito da minha vida.
Chego a pré-conclusão de que faz-se necessário novos horizontes, tanto na área profissional como amorosa. Há tempo venho pedindo para que me despenssem no trabalho, mas sempre escuto uma desculpa diferente, querem me vencer pelo cansaço e eu não estou cedendo, preciso da grana da recisão, tenho planos e por isso estou sendo resistente, mas considere que o cansaço e o desgaste se fazem presente. Há tempos venho tentando tomar a decisão de renunciar ao meu amor mas sentia medo, então pensava: "se ele o fizer será mais fácil para eu aceitar, afinal quem não vai querer mais o relacionamento é ele" e o que significa esse pensamento? Que eu queria me isentar de qualquer culpa que pudesse recair sobre mim, bem mais fácil o outro tomar decisões por nós, sentia medo, medo de ficar sozinha, medo da carência, medo da minha necessidade de ter alguém, medo da solidão. E vejam! eu consegui! o outro tomou a decisão por mim após um desvio de conduta que eu tive, inconscientemente dei a brecha que ele e eu queríamos para que tudo terminasse, afinal nós já estavamos no meio-tempo há algum tempo mas ninguém tinha coragem de falar.
Todas essas situações vem fazendo com que cada dia eu me conheça mais um pouquinho e a perceber que estou subindo alguns degraus na casa da minha vida. Por isso digo que venho suportando tudo com resiliência. Ainda estou dizendo coisas a mim e as pessoas que não são verdade, estou no meio do caminho. Sei o que devo fazer só não sei como fazê-lo. Neste momento a verdade é essencial, só devo dizer as coisas que sinto, não posso me trancar novamente no porão. As coisas ainda não fazem muito sentido de ser e acontecer mas estou no busca de entendimento e sentido para elas.
Estou tendo muita paciência comigo e com os meus sentimentos, estou confiante da mudança, lógico que de vez enquando eu sinto muita raiva de tudo isso, das pessoas e de mim mesmo mas logo volto ao ponto de partida e lembro "estou no meio-tempo, buscando meu entendimento e de tudo que venho passando, sendo assim, esses setimentos são normais", de fato não está sendo fácil. Venho chorando muito, coração apertado e a cabeça não pára um segundo.
O desprendimento das coisas que não nos fazem bem mas fazemos forçosamente durante algum período com que façam é doloroso, afinal eu passei a acreditar piamente que tais coisas me faziam bem, e agora repensando tudo sei que não fazem e que não tê-las é a melhor solução pelo menos no momento e se não for para tê-las novamente mesmo assim saberei o que fazer e o que não fazer com as próximas que virão. Meu trabalho não está me fazendo bem, meu relacionamento não estava me fazendo bem e se mesclar estes dois problemas eu posso dizer que eu não existo, que sou um poço de problemas que carrega seus probleminhas e assim sucessivamente, mas também como já venho dizendo há algum tempo, não quero me colocar na condição de vítima e nem me culpar...
Estou na busca pela resolução dos meus problemas mais íntimos, estou confiante, já sei o que tenho de fazer só preciso encontrar os meios para realizar. Tudo parte da condição de assumir o que te faz mal e o resto é consequência.


"A paciência é o elixir da cura para a melancolia do meio-tempo"
(Iyanla Vanzant)


sexta-feira, 22 de agosto de 2008

CID10 - F41.2


Choro sentido, grito contido, tristeza que vem lá do fundo e eu não sei explicar. Fui ao médico - psiquiatra - ele diagnosticou Transtorno Misto de Ansiedade e Depressão. Pode ser por conta do trabalho, pode ser por conta da saudade. Me passou remédios anti-depressivos e ansiolíticos, eles me deixam mole, lenta, inibem minha fome e também o que sinto, não me deixam chorar, pareço estar dotapada, fala mansa devagar, é meio brisa de maconha.
Saí do médico e fui para casa dele, que estava preocupado e cuidou de mim. Almoçamos mesmo eu sem fome (ele com um jeito carinhoso me convenceu a comer), assistimos um filme do Almodovar abraçados e ao anoitecer me trouxe para casa. Nos gostamos.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Está difícil.

Primeiro mês em casa emprestada, me mudei para São Bernardo do Campo, difícil ficar longe de todos, sinto saudades da minha pequena, amanhã é aniversário dela, vou trabalhar, só a vejo nos finais de semana. Choro quase todos os dias. O quarto é apertado, sorumbático, não tenho espaço para minhas coisas aqui. Sinto falta da casa velha. Passei lá em frente com o carro do trabalho já começaram a demolir, meu coração ficou apertado, chorei. Vivi ali naquela casa desde que nasci, muitas coisas aconteceram naquele espaço físico. A tia Bete me trata bem e não sabe o que fazer para me agradar e me deixar a vontade, ela me abraça quando eu choro, isso é bom. Já o companheiro dela está morrendo de ciúmes de mim e me trata mal indiretamente. A única coisa boa é que estou mais perto dele que vem aqui com frequência e me acorda todos os dias pela manhã com mensagens no celular me dizendo bom dia, eu o amo.