apenas eu.

Minha foto
"Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm." (1 Coríntios 10:23a)

transeuntes.

Mostrando postagens com marcador camilla e suas crises. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador camilla e suas crises. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Eu só vejo a glória.


Esses dias estava lendo um post deste blog para um colega de trabalho, e com uma outra colega de trabalho falava sobre nao se importar com as pequenezas do cotidiano e das pessoas, dias depois meu noivo me perguntou porque nao mais escrevi no blog e cá estou eu, matando as saudades.
Percebi que deixei de escrever mais assiduamente no blog porque antes ele era a companhia mais próxima que eu tinha, se nao tinha com quem falar, escrevia! Perdia noites em claro escrevendo posts sobre minha vida particular, inventando histórias, fazendo críticas ao modelo de gerenciamento da sociedade, sobre amores e relacionamentos frustrados, sobre genero, preconceito, discriminacao e afins. Nem todo mundo me entendia e eu também nao queria e nem fazia questao de entender todo mundo, essa era a verdade.
Solidao e egoísmo, frustracao e tristeza, misturado a um pouco de falta de amor a mim e ao próximo, essa era a vida que eu tinha. Foi quando me descobri amada por Deus Pai e Deus Filho, pela minha família, pela minha filha, pelo meu noivo e pelas pessoas.
Muita coisa caiu por terra, revi conceitos, repensei ideologias e nao vou dizer que deixei de acreditar em algumas coisas que aprendi com a inteligencia natural, teorias e tal, nao deixei e continuo a defender aquilo que acredito no mundo, continuo realizando meu trabalho enquanto profissional que de certa forma tem os dedos de Deus e é trabalho para sua obra particular.
Mas muita coisa perdeu o sentido, muitas das lutas e movimentos nao serao resolvidos, há um grande desgaste das pessoas com isso tudo, quando na verdade é tudo tao mais complexo, perpassa a vida carnal, por isso deixei um pouco de escrever no blog, perdeu um tanto aquele significado que era tao grandioso pra mim. Comecei a enxergar além dessa vida, comecei a enxergar que nao é necessário desgaste, que nao é necessário brigas, discussoes, há uma vida fora esta que nada se parece com esta, em que nada disso será válido, em que nada disso acontecerá.
Muitos devem estar falando:
- Vixi ela pirou de vez! Lavagem cerebral nela!
E meus amados é a maior das viagens mesmo!! Eu estou vivendo essa vida ansiando pela outra vida que terei e será eterna ao lado do meu Salvador e lá nao haverá necessidade de movimentos e lutas, inveja, egoísmo, contenda, acusacao, violencia, roubo. Lá será a glória e nao terá nada a ver com tudo isso aqui, pois, de nada valerá, eu vislumbro com intensidade esse tempo em minha vida. E por vezes me pego pensando que eu tenho Deus em mim, nao preciso me preocupar com homens mortais, com coisas banais, com ameacas e que na glória nao mais esses sentimentos, atitudes e pensamentos caberao.

"E se o fato de sermos cristãos só tem valor para nós nesta vida, então somos as criaturas mais infelizes." (1 Corintios 15:19)

"Então, de repente não vejo mais minhas aflições
Eu só vejo a glória
E percebo quão maravilhoso Ele é
E o tanto que Ele me quer
(...)
Não tenho tempo pra perder com ressentimentos
Quando penso que Ele
Me ama
Ele me ama"


"E se o fato de sermos cristãos só tem valor para nós nesta vida, então somos as criaturas mais infelizes." (1 Corintios 15:19)

domingo, 17 de julho de 2011

Interferência Sonora.

Assisntindo a um programa esse final de semana no TV fechada e que tratavam sobre o tema "SILÊNCIO" percebi que tenho dificuldade com o barulho.
Estou trabalhando em São Paulo e além da poluição atmosférica (que me encomoda patologicamente por conta do meu problema respiratório) e a poluição visual dessa cidade cinza ainda tem a poluição sonora que muito atrapalha.
Eu sempre gostei de ficar sozinha e em silêncio, sendo de família de negros, todos falam alto, riem alto e depois que tive minha filha tudo que não tive em casa foi silêncio, a não ser quando ela dorme.
Acredito que seja impossível encontra-se consigo mesmo no barulho: aeroporto, trânsito, rodoviária, celular, tudo isso afasta o homem de si mesmo. Impossível ter concentração no meio desse turbilhão de efeitos sonoros. Eu ainda consigo minimamente ler dentro dos transportes coletivos, fazer uma oração mas muitas vezes é impossível. Sem contar que determinadas interferências sonoras pra mim soam como pura falta de respeito e consideração pelo próximo.
Tenho para mim que as pessoas confundem silêncio com solidão e tristeza e barulho com alegria. Alguns amigos sempre diziam que eu ficava muito dentro de casa, sozinha e que isso me fazia mal, nunca pensei assim, o silêncio me aproxima de mim mesmo. Eu necessito de silêncio e não digo silêncio total (desse eu também gosto e muito), gosto de música, de um bom filme, de conversa mas pra tudo temos o nosso limite, tudo num nível de som balanceado nada que fira os ouvidos pelo excesso de som.
Muitas vezes temos que nos fechar num retiro só nosso para que possamos refletir sobre nossas ações cotidianas, nossa vida profissional, espiritual, sentimental, porque sem esse encontro conosco fica impossível arrumar estratégias de sobrevivência num mundo tão conturbado como esse.
Percebi que o silêncio é tido como paradisiaco e o barulho é tido como o inferno. Numa cidade como São Paulo, o silêncio custa caro, os melhores coisas (restaurantes, lugares para viajar e repousar, etc) custam caro.
Diante disso tudo eu vejo as pessoas cada vez mais longe delas próprias (e eu me enquadro nessa estatística). O tempo uiva, nos consome a cada dia, os dias estão passando tão rápido quanto um estalar de dedos e as pessoas cada vez mais frenéticas, correndo contra o tempo, correndo para não ficarem para trás, vivendo num individualismo mortal, afastando-se cada vez mais de coisas verdadeiramente relevantes e que possivelmente tragam felicidade e paz.

sábado, 8 de janeiro de 2011

É um processo.

A cada dia percebo-me um ser incompleto, impreciso, em constante transformação. Sempre me consumindo (invariavelmente) por tentar sanar problemas por vezes em maiores ou menores proporções. Construo-me e desconstruo-me a todo tempo. Invento teses, teorias, releio as já existentes escritas por pensadores tanto quanto mais ou tanto quanto menos pensantes do que eu. Penso, repenso, reverbero, eufemista-verborragica. Procuro porques, tento me encaixar, tento entender, tenho que questionar. Coloco e tiro, agarro e jogo fora, faço por gozo, faço pra agradar, faço a gargalhar, faço obrigada, faço na obrigatoriedade de me auto-conhecer afinco.
Faço o que é certo, aceito congratulações. Faço o que é errado, auto-flagelo, arrependimento. Novamente reconstruo-me.
Ser inacabado que sou busco incessantemente pela felicidade, pelo prazer, pela vitória, pela vida.
Mas onde é que tudo isso começa e onde tudo isso termina?
No sorriso de uma criança, no copo de água que se bebe quando sente sede, em um abraço que aquece, numa noite de amor, no dia ensolarado, na tarde chuvosa, na luz divina divindade - DEUS?
Tudo faz parte do nada e o nada já é tudo que nos consome.
O ser nada é, humilhar-se, curvar-se, prostrar-se diante de quem é tudo.
Tenha esse tudo para poder enxergar onde o tudo começa na sua vida.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Empowerment.

O empowerment é aquilo que chamamos de poder e autonomia dado a alguém para tomada de decisão. Utilizamos muito esse tal empoderamento (abrasileirando a palavra estrangeira) na minha profissão, onde o maior poder de decisão é da própria pessoa beneficiária das políticas públicas, sendo ela por conseguinte protagonista e agente de transformação da sua história.

Quando se trata de nossa vida pessoal, quando nos é dado poder de escolhas e decisão, mesmo levando em consideração que a vida é feita de escolhas a todo momento, em nada se diferencia, não dá para eximir sentimentos e questinamentos. Nessa hora dá tudo, a cabeça rodopia, borboletas voam dentro do estômago, as pernas tremem numa espécie de medo e o coração dispara de ansiedade. Difícil controlar, eu odeio ter que ter controle sobre as situações, quando na verdade eu queria era gritar.

Eu vivo dizendo que não podemos de jeito maneira perder o foco e quando chega a hora o que bate é a insegurança. Tudo que buscamos está começando a dar sinais de vida, tudo que planejamos está começando a amadurecer, fico feliz mas isso não me impede de ter sentimentos humanos, dúvidas e receios. Está na hora de cortar o cordão umbilical, começar do zero, construir algo novo, desafiar a própria vida. É o começo de um novo ciclo.

Continuarei, "manter o foco" é isso que me fará decidir tudo com calma e lucidez, amanhã é outro dia. Tudo vai dar pé!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

É melhor calar.

A vida é muito louca, nos prega cada peça, sempre nos colocando a modo de "pause" para que façamos nossas escolhas. Na maioria das vezes a escolha se relaciona a sentimentos, a dor, a perdas e nem sempre conseguimos se quer escolher, vem dado e pronto. São muitos os divisores de água que nos chegam durante nossa estadia na terra.

Difícil pra cacete aceitar determinadas situações, difícil fazer com que as pessoas nos aceitem em nossa totalidade, fazer com que nos respeitem, difícil impedir que alguns "nãos" sejam ditos ou deixar a emoção falar mais alto. Um pingo de razão é super necessário para não alastrar o sofrimento mais adiante, abdicar de sentimentos também é honroso em certos momentos.

Eu queria muito falar sobre o meu dilema, mas acabei de receber a notícia de que o pai de uma super amiga está com câncer e nessa percebi que o meu dilema não é nada relevante perto de outros. A chamei no MSN porque precisava conversar mas quando soube até desencanei, deixei que ela falasse e desabafasse. Me pediu para que eu coloque o pai dela nas minhas orações, mesmo não acreditando na minha religião, porque me respeita.

Quanto a mim?... deixa pra lá...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Um Poço de Sensibilidade.


Cansada, sensível, chorosa, vulnerável...
Endurecer sem perder a ternura e os sonhos.


'Loucura, eu penso, é sempre um extremo de lucidez. Um limite insuportável.'

Caio Fernando Abreu

sábado, 16 de outubro de 2010

Coragem pra fazer acontecer.

Pensei que minha vida precisa de um tanto de ação, adrenalina, movimento ou qualquer outro sinônimo pra que eu saia do sedentarismo corporal.

Um dia fui uma jogadora de handball e estava em constante movimento, descoberta no ginásio na escola estadual em que estudava e levada para o time municipal de Santo André, fiquei lá durante algum tempo mas logo comecei a fumar e não conseguia mais corresponder ao que o time e o técnico pediam, saí a francesa sem nem mesmo me despedir, acredito que por vergonha de admitir meu deslize.

Por esses dias pensei que poderia montar um time informal de handball e jogar as quartas-feiras pela noite, no entanto, é difícil encontrar alguém que goste desse esporte não muito midiático como o futebol. A idéia ainda não saiu da minha cabeça e estou de verdade a procura de meninas e meninos para formar times.

Pensei também em fazer academia, não sei o que acontece que não consegui ir ver ainda. Pensei em comprar um bicicleta e andar as noites com o Danilo, descer a serra com o Samir ou até mesmo ir na Bicicletada chamada "Massa Crítica" que acontece na última semana de cada mês ou nas viagens que dá água na boca de ver as fotos com a Ana Célia que escreve no blog http://anaceliacruz.blogspot.com/ .

Olhando o blog da Jú e da Helinha http://pretasemcena.blogspot.com/, morri de vontade de estar lá interpretando junto a elas situações que também são minhas, gritar num espaço alternativo aquilo que me sufoca, que o mundo precisa saber mas está encoberto.

Acho que de tudo o que me falta é coragem (coragem aqui tem conceito de fazer acontecer, vontade e ação e não só a vontade pela vontade, atitude porque quem muito fala nada faz) para colocar tudo em prática. Aceito convites para participar do "Pretas em Cena" viu meninas! Quem se sentir interessado no time é só dizer!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Rotina.

Ser humano que se preze sempre reclama da rotina do cotidiano: falta de tempo hábil, excesso de trabalho, casa, família, filhos. Eu também já reclamei por diversas vezes. É quando me pego nesse exato instante sentindo falta dessa rotina e acreditando que o ser humano reclamão só se sente bem, satisfeito, realizado, contemplado, feliz, se houver rotina em sua vida. O corpo precisa de movimento, a mente precisa estar em trabalho constante. Logicamente todos preferem fazer o que se gosta mas mesmo que o que se faça não seja o que se gostaria, a ociosidade é bem pior.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Un Plaisir...

Sempre acreditei que uma das melhores sensações da vida é o término de um bom livro, daqueles que você coloca o livro no colo e fica imaginando como seria o contínuo da vida daqueles personagens, passando horas e dias a pensar, relembrar trechos, fazer alusões a sua própria história de vida. Assim como os filmes que fazem chorar ou mesmo os que fazem chorar de tanto de rir. Bem... eu prefiro os dramáticos!
Angustiada como me mostrava ontem, angustia que pressupunha insegurança e por conseguinte irritação exatamente pelo medo de não saber como lidar com as próprias emoções, hoje me encontro em pleno estado de êxtase, coração calmo, com um sorriso gostoso na cara, meio que sorriso de gratidão por viver, por amar, por ser amada, imaginando como a vida pode nos proporcionar coisas inanimadas, improváveis, inesperadas.
É estranho dizer mas alguns dos meus modos de sentir prazer, talvez sair da inércia ou do stress do cotidiano é ler um livro, assistir um filme, pois, quando leio e vejo coisas bonitas (ou mesmo as feias, que também impulsionam) a vida parece que toma outro rumo. Tudo que eu precisava era ler um bom livro ou ver um bom filme. Intercalando então entre a leitura (A revolução dos Bichos, de George Orwel) e o filme que acabei de ver me sinto agora mais leve, uma linda história francesa - o francês é mesmo uma língua excitante, estimulante - que deixo como indicação a quem quiser ver.


Filme: Enfim, juntos (Ensemble, C'est Tout)
Diretor: Claude Berri
Gênero: Comédia/Drama
Ano: 2007

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Medo de se apaixonar.


"Você tem medo de se apaixonar e não prever o que poderá sumir, o que poderá desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja pilantra, incerta do que realmente quer - talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue".

(do livro O amor esquece de começar, Fabricio Carpinejar)



O medo também aparece quando tudo está master mega bem, no êxtase, no auge das coisas boas. Esses dias eu chorei, todo mundo sabe que sou cagona e dependente. Os planos estão sendo feitos meio que a nível de brincadeira ainda, mas no fundo existe uma certa verdade em tudo que é dito. Eu nunca vivi algo que chegasse tão perto da verdade, a que eu sempre esperei. Foi uma questão crescente na minha vida: o péssimo, o ruim, o mais ou menos, o mais ou menos mais para menos, o mais ou menos mais para mais, o bom e agora o que se pode chamar de ótimo. Minha crise é por esse ótimo, o qual achei que nunca fosse chegar e que de certa forma eu sempre o negava. Estou trabalhando essa introjeção do ótimo em mim e tentando não ficar tão instrospectiva diante dos fatos, estou tentando entender minhas emoções e entender toda essa maré de coisas e pessoas boas que estão adentrando minha vida em todos os âmbitos. Eu estou disposta a ter toda e qualquer vivência que me deixe ainda mais feliz e segura daquilo que eu quero e preciso.

domingo, 4 de julho de 2010

O grau da minha sensibilidade.

Sabe que por vezes fico impressionada com o nível da minha sensibilidade, eu escuto músicas e choro, leio poesia, livros, vejo filmes e choro, parece que é um choro a toa mas não é... é um choro sentido, com sentimento... é muito mais do que isso, é choro de alma... sinto cada batida do meu coração, as vezes agitado, forte, as vezes lento, compassado... e posso estar super bem, anestesiada ainda pelo momento de êxtase e felicidade como me encontro agora, mesmo assim as coisas são tão bonitas ou na maioria das vezes tristes, mesmo assim não deixam de ter beleza... tanto bonitas que me fazem chorar... de tão bonitas, doem.

Sou sensível as pessoas, sensível ao toque, as palavras e ações... sou uma rosa negra, sensível ao sol, a chuva, ao orvalho... sou sensível a minha própria sensibilidade. E mesmo tendo tamanha sensibilidade, muitos me consideram uma pessoa dura, fria ou sei lá mais o que, o problema é ser verdadeira, sincera, realista, direta ou como queiram chamar, isso faz com que me tomem como insensível. Sinto medo de mim com todas essas emoções e sentimentos que se entrelaçam aqui dentro, a emotividade pode ser tanto o princípio como o meio ou o fim de uma pessoa, pode levar à loucura... pode levar à fazer loucuras.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O vencedor

Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor
(...)
Eu que já não sou assim muito de ganhar
Junto às mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz

(Los Hermanos)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Subjetiva demais.

Noutro dia abri o blog e vi o seguinte comentário numa postagem:
- Gostei do blog antes de tudo. Bela reflexão, mas pena que tá um tanto subjetiva, mesmo assim traz questões interessantes pra reflexão...

Segurei minha onda por meses e só agora resolvi postar algo sobre. Procurei no velho amigo Aurélio qual o conceito de "Subjetivo" mesmo sabendo o significado, vejam: 1. Do, ou existente no sujeito (7). 2. Individual. § subjetividade sf.
Acho que realmente o blog e eu somos subjetivos sendo que somos a mesma pessoa, subjetivos mas não senso comum. Contudo, fiquei a me perguntar porque ele disse "pena".
Reconheço minha ignorância literária (longe de ser uma grande escritora, sou amadora) e sei que não escrevo lá essas coisas mas meu intuito não é criar histórias fictícias ou tratar de assuntos específicos, escolhi hablar sobre mim, minhas ânsias, angústias, alegrias, encontros e desencontros, minha vida perdida e achada, são tantos momentos. Há quem diga que sou melancólica e nostalgica demais, reclamona demais, que faço um monólogo da minha vida triste, um dramalhão existencialista sem finais apoteóticos. Ok!
E posso dizer mais: sou humana - sujeito da minha própria história e da minha transformação, suscetível a mudanças de pensamento e maneira de agir - um ser errante e que não têm dificuldade em pedir desculpas. Não costumo usar máscaras ao dizer e mostrar o meu verdadeiro eu, necessitada de uma terapia intensivaça, com dores que amargam aqui dentro bem como alegrias que não consigo conter e que querem sair a toda pelos poros do meu corpo pequeno; ansiosa, exaltada, impaciente, impulsiva, constante e inconstante, com uma alma intensa e que muitas vezes não se sente bem onde está, crítica em demasia com pessoas, coisas e situações que me agradam e desagradam, ranzinza e mau-humorada porém com um quê cômico, um sútil lado comediante e no máximo sou feliz por poder viver tudo isso.
Alguém já me disse assim: "as pessoas querem e gostam de ler coisas boas e alegres!". Aí está o problema, como se a vida fosse feita só de alegrias, êxtase e euforia o tempo inteiro. Pelo menos a minha vida não é assim e não posso falar de algo que não vivo a todo momento como que inventando prazeres inexistentes (ah Epicuro me segura!), falo do que vivo o resto seria fantasia, negação dos meus sentimentos e emoções, da minha vivência e do meio que estou inserida, daquilo que recebo do mundo e aqui meus queridos é tudo bem real, é a minha vida, meu cotidiano. Pode ser chatíssimo? pode! pode ter um pingo de dramaticidade ou exagero? pode! afinal minha psíque não é lá essas coisas, entretanto tento não fugir muito da realidade e nem viver num mundo exclusivamente meu e acredito que alguns goles de maturidade entre uma situação e outra estejam me fazendo diminuir o nível de vitimização.
Deixo aberto a quem queira saber um pouco mais de mim, digo um pouco porque nem eu mesmo me conheço ou me compreendo por inteiro. Ah! e ainda tem a instabilidade de humor. Caso nada disso interesse a ninguém também ei de ficar bem.

*sitado no texto sem ordem lógica trechos de um poema de Florbela Espanca.

terça-feira, 15 de junho de 2010

sentimento de reticência.


Venho fumando muito, o tempo frio e seco ajudou e minha bronquite atacou juntamente com um resfriado sacana que está me derrubando. Fora a dor que senti no fim de semana, maldita prisão de ventre! Bem que minha tia dizia quando eu era mais nova, que quando eu estivesse chegando perto dos 30 anos as doenças apareceriam e eu engordaria tudo que não engordei antes, pois, eu dizia sempre que "posso comer o que for que não engordo" e agora vejo o resultado.

Somado a isso estou com um sentimento de reticência, é mais ou menos como ter uma pausa grande depois de alguma coisa vivida, um pensamento ou uma idéia que ficou por terminar, tipo "e agora?" ou ainda posso ser mais precisa: é um espaço ou uma ausência de espaço (?) para inferências e insinuações, uma forma de expressão que, ao contrário de selar, abre uma janela para a multiplicidade de sentidos e sentimentos.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

na mira.


até quando serei refem das minhas próprias emboscadas?
das fantasias fantasiosas?
do ego egocêntrico e das vaidades vaidosas?
da impaciência intolerante e da intolerância impaciente?
da ignorância em querer ignorar fatos?
dos porques, inventando-os quando eles não existem?
das desculpas esfarrapadas?
do meu próprio poder de convencimento querendo me convencer daquilo que não é nada convincente?

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Faz lembrar.

Faz lembrar que todo esse processo é e está sendo doloroso, o processo da solidão é foda! Não é a solidão pela falta de um objeto de desejo, é a solidão do auto-conhecimento-reconhecimento. Há um vácuo enorme em tudo que se vê, no que se sente, nos lugares e instituições de convivio. A busca incessante por encontrar um lugar no mundo, encontrar sentido nas coisas e situações, nas pessoas e na vida em si, construir e desconstruir simultaneamente, pensar e refletir deliberadamente, é brusco e fere. São crises intensas quase que diárias, sintomáticas e somatizantes por vezes. Não é loucura, é a saída de uma condição para outra, é o entendimento do que ainda se fazia velado, negligenciado, mal-olhado, é o desprendimento das amarras, é enxergar mais claro mesmo que ainda se esteja no escuro, é crítico, é crescimento. Pareço estar andando sem rumo mas estrategicamente busco alternativas e possibilidades para sair da procrastinação a que todos estamos suscetíveis ou submetidos de certo modo.


quarta-feira, 19 de maio de 2010

Limpando tudo.

Não gosto muito dos afazeres domésticos não (prefiro trabalhar o intelecto), por isso limpo e mantenho limpo, bagunça e sujeira nunca foi a minha praia e é assim desde pequena, chego a ser chata com essa mania de limpeza e arrumação. Pra quem acredita em signos digo: sou virginiana para que possam ter maior entendimento sobre o que quero explicitar. De todas as tarefas prefiro 'limpar a casa'. Coloco uma trilha sonora daquelas de fazer faxina em alto e bom som e canto junto, esfregando aqui, esfregando ali, empurra, arrasta, passando pano, tirando pó, até que o último objeto seja colocado no seu devido lugar. O cheiro gostoso de casa limpa que sensação boa, pena não poder limpar a casa da minha vida com o "Pratice - Petit" limpador perfumado da BomBril, que como diz no "rótulo limpa mais e seu perfume é de maior duração".
.
.
.
Recall da alma, por Martha Medeiros.

Também gostaria que me chamassem para um recall, mas não para avaliarem meu carro, mas a mim mesma. Quem me convocaria?
Ora, quem? Deus, o dono da fábrica! Todos nós saímos da linha de montagem com alguns defeitos, mas ninguém nos avisa disso. À medida que vamos rodando é que as avarias vão surgindo, provocando acidentes que poderiam ser evitados caso alguém tivesse nos chamado para uma revisão.
- Olha, você tem um problema de superaquecimento. Cada vez que uma pessoa discorda do seu ponto de vista, sua tendência é perder a cabeça e sair agredindo, dizendo coisas que fazem os amigos se afastarem de você. Venha cá, vamos dar uma regulada nesse seu termostato.
- O problema está na aceleração. Já reparou como você é rapidinho? Quer tudo para ontem, não deixa as coisas acontecerem no seu tempo, atropela todo mundo. Encosta ali que já resolvo isso.
- Seu retrovisor interno é muito grande! Como é que eu deixei você ir pra rua assim? Você vive olhando pra trás, tem mania de perseguição, não se livra do passado. Vou diminuir esta sua tentação de ficar vivendo de lembranças para que você ganhe uma área maior de visão frontal.
- Seu caso, vejamos: você derrapa muito. E tem folga na direção. Precisa ser mais objetivo, dizer o que pensa, não ser assim tão escorregadio. Me alcança ali a chave de fenda que eu dou um jeito nisso agorinha. Seria a glória.
Mas creio que Deus anda muito ocupado para se dedicar a consertos. Melhor resolver nossas falhas com um manualzinho caseiro mesmo. Claro que não vai dar para ajeitar tudo: temos alguns bons anos de uso e certas peças já não são passíveis de reposição, mas não custa fazer um autobalanceamento de vez em quando, para a gente não se estragar no meio do caminho.
Recall, só de alma.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Estou a dois passos...

- "Existe uma linha tênue entre o desespero e a ansiedade."
- "Vá se tratar."
- "Sei, quer que as pessoas sintam dó de você!"
- "Ninguém precisa ter dó de você."
- "Você tem que passar que é segura de si."
Frases ditas para mim a alguns minutos atrás por duas pessoas diferentes, contextualizando: uma me conhece há mais de 20 anos e outra há exatamente 01 mês.
Sinto o desespero: risadas, gargalhadas estrondosas e nervosas, ânsia, angústia, tremores. Meu mecanismo de defesa deve estar falhando, digo e sinto coisas que não quero dizer nem sentir. Estou a um passo do enlouquecimento, da loucura, meu olhar é de uma pessoa louca, meus movimentos e sensações são de alguém que está entrando num possível surto. Tenho febre, medida agora a pouco 39º. Não consigo parar de gargalhar, minha visão está começando a ficar turva e minha vontade de sair de dentro de casa, sair de dentro de mim é gigantesca. Todos se negaram a estar comigo hoje (consciente ou inconscientemente): celulares desligados, compras para data comemorativa, seres evoluídos que não sentem esse mesmo desespero repousam em suas casinhas, pessoas trabalhando e eu aqui querendo correr mundo mas como tenho grande necessidade e dependência por pessoas estou aqui, sem saber pra onde ir mas com uma vontade imensa de ir. Sair correndo. Gargalhadas e agora lágrimas ao mesmo tempo. Meu corpo coça. Nada e nenhum lugar está bom. As pessoas? Ao mesmo tempo que dependo delas também já não me satisfazem. É o afastamento da realidade, fuga da minha realidade. Movimentos e pensamentos inconscientes todos girando dentro e fora de mim, agora só faltam as ações condizentes a falha do super-ego. Estou convicta do meu princípio de loucura, e quando dizem que isso é coisa da minha cabeça me confundem ainda mais, porque penso "será?" e na verdade só me fazem afirmar minha condição. Alguns acham que me vitimizo, querendo que as pessoas sintam dó de mim, nada disso. O que eu quero é paz. Meu lugar não é aqui, fazendo as coisas que faço, trabalhando com o que eu trabalho. Quero sair daqui. Quero outro lugar. Quem eu sou? O que quero ser? Para onde quero ir? Preciso me encontrar mas primeiro preciso me perder. É uma busca constante, um trabalho árduo de auto-conhecimento. Passei a viver num mundo intrinsecamente meu, onde nada mais faz sentido, onde as pessoas deixaram de ser indivíduos para serem objetos, configurados todos com o mesmo chip. Não sou segura de mim e nem quero enganar ninguém dizendo que sou, não faz sentido. Tenho crises intensas e constantes de existência. Acho maravilhoso poder assumir minhas fraquezas, assumir que sou "louca". Minha tranquilidade é falsa, minha aparência relaxada é falsa, tudo é falso. Sinto necessidade de colocar tudo pra fora, minha raiva, minha ira, mandar tudo mundo pra puta que o pariu. Me ame ou me odeie, tanto faz, pra mim essas duas palavras já não tem mais diferença nenhuma.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

o diferente faz toda diferença.

se eu realmente quero que seja diferente terei de fazer a diferença.

mudança de hábitos: reconhecer os excessos, não dar vazão à exageros, correr em direção contrária aos impulsos físicos e orais, ter cautela, controle na austeridade.

usar das experiências passadas
como premissa naquilo que almejo para mim daqui por diante.

sábado, 17 de abril de 2010

Dois viés, um único caminho.

O lado racional vai por um viés, o lado emocional por outro. O sentir é contrário ao pensar. Tive de me convencer do certo, mesmo a contra-gosto e a partir desse pressuposto há uma enorme confusão de sentimentos. Bastou escutar a voz numa simples conversa ou mesmo ler uma pequena frase, pequenezas que machucam, apertam e fazem a cabeça girar a mil. Não sei a quem pertence meu coração, não sei mais se eu pertenço a algum lugar, já não consigo identificar meus sentimentos. Pode ser atribulação consequencia da solidão e da carência, achar que sente aquilo que não se sente, achar que desejo aquilo que não desejo (ou que não quero desejar). Só sei que sinto saudade, falta... só não sei de quem (Antônio, Joaquim ou João?), porque tudo e todos (todos mesmo) se misturam dentro da minha cabeça. Tanta gente, tanto envolvimento e ao fim não me sobrou nada mais que confusões. Isso é louco! Existe muita coisa ainda por terminar, coisas mal resolvidas (uma voz de vez enquando me sussurra) ao mesmo tempo que meu bom senso e minha saúde mental me dizem que não existe mais o que retificar. Contava com a ajuda do Senhor Tempo mas ele está deixando a desejar.

"Quando olho em retrospectiva minha vida, que não tem trinta anos de duração, vejo todos os meus namorados sentados de modo alternado, de costas um para o outro, como se estivessem na brincadeira das cadeiras. Cada qual um antídoto para o outro que existiu antes. Cada qual uma reação, uma meia-volta, um rebote". (Erica Jong)

"Eu procuro fazer o que se deve fazer, e ser como se deve ser, e me adaptar ao ambiente em que vivo - tudo isso eu comigo, mas com o prejuízo do meu equilíbrio íntimo, eu sinto." (Clarice Lispector)