apenas eu.

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"Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm." (1 Coríntios 10:23a)

transeuntes.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Estou a dois passos...

- "Existe uma linha tênue entre o desespero e a ansiedade."
- "Vá se tratar."
- "Sei, quer que as pessoas sintam dó de você!"
- "Ninguém precisa ter dó de você."
- "Você tem que passar que é segura de si."
Frases ditas para mim a alguns minutos atrás por duas pessoas diferentes, contextualizando: uma me conhece há mais de 20 anos e outra há exatamente 01 mês.
Sinto o desespero: risadas, gargalhadas estrondosas e nervosas, ânsia, angústia, tremores. Meu mecanismo de defesa deve estar falhando, digo e sinto coisas que não quero dizer nem sentir. Estou a um passo do enlouquecimento, da loucura, meu olhar é de uma pessoa louca, meus movimentos e sensações são de alguém que está entrando num possível surto. Tenho febre, medida agora a pouco 39º. Não consigo parar de gargalhar, minha visão está começando a ficar turva e minha vontade de sair de dentro de casa, sair de dentro de mim é gigantesca. Todos se negaram a estar comigo hoje (consciente ou inconscientemente): celulares desligados, compras para data comemorativa, seres evoluídos que não sentem esse mesmo desespero repousam em suas casinhas, pessoas trabalhando e eu aqui querendo correr mundo mas como tenho grande necessidade e dependência por pessoas estou aqui, sem saber pra onde ir mas com uma vontade imensa de ir. Sair correndo. Gargalhadas e agora lágrimas ao mesmo tempo. Meu corpo coça. Nada e nenhum lugar está bom. As pessoas? Ao mesmo tempo que dependo delas também já não me satisfazem. É o afastamento da realidade, fuga da minha realidade. Movimentos e pensamentos inconscientes todos girando dentro e fora de mim, agora só faltam as ações condizentes a falha do super-ego. Estou convicta do meu princípio de loucura, e quando dizem que isso é coisa da minha cabeça me confundem ainda mais, porque penso "será?" e na verdade só me fazem afirmar minha condição. Alguns acham que me vitimizo, querendo que as pessoas sintam dó de mim, nada disso. O que eu quero é paz. Meu lugar não é aqui, fazendo as coisas que faço, trabalhando com o que eu trabalho. Quero sair daqui. Quero outro lugar. Quem eu sou? O que quero ser? Para onde quero ir? Preciso me encontrar mas primeiro preciso me perder. É uma busca constante, um trabalho árduo de auto-conhecimento. Passei a viver num mundo intrinsecamente meu, onde nada mais faz sentido, onde as pessoas deixaram de ser indivíduos para serem objetos, configurados todos com o mesmo chip. Não sou segura de mim e nem quero enganar ninguém dizendo que sou, não faz sentido. Tenho crises intensas e constantes de existência. Acho maravilhoso poder assumir minhas fraquezas, assumir que sou "louca". Minha tranquilidade é falsa, minha aparência relaxada é falsa, tudo é falso. Sinto necessidade de colocar tudo pra fora, minha raiva, minha ira, mandar tudo mundo pra puta que o pariu. Me ame ou me odeie, tanto faz, pra mim essas duas palavras já não tem mais diferença nenhuma.

8 comentários:

Denise disse...

meu só não gosto de te ver assim melancolica. não falei pro seu mal não relaxa aí, só quero te ver feliz, não está mais aqui quem falou... nem quero que vc minta pra ninguém quem vc é... vc tem que ser quem vc é sempre, foda-se os outros mesmo, eu por exemplo me fodi em só querer te animar kkkk mas não sou psicologa sou cabeleireira...

Mila disse...

A melacolia antecede a alegria, não importa o dia ela vem...
Só saiba de uma coisa Camila, as coisas "loucas" vieram para confundir as que acham que são normais...
Isso pode ser sua personalida, te difere das outras pessoas.
Bjs
Mila

Carol disse...

se cuida, toma algo p/ essa febre... e fica de boa, aí.

GIL ROSZA disse...

quer um abraço? se tivesse mais perto dava um bem forte! um abraço forte e um pouco de silêncio.

Thaissa Costa disse...

Quem vive intensamente é insano por natureza. E ser insano para uns pode ser sinônimo de felicidade exacerbada, de tristeza encubada, de amores perdidos, de amores encontrados...enfim, é o auge dos sentimentos. Vida e insanidade caminham lado a lado.

FABIO E. DE SOUZA disse...

Entendo tudo isso, incrivel mas já percebi que não somos os unicos que sentem isso antes queria entender isso, agora ligo o foda-se e vou enfente, se cuida linda !!!1

Camilla Aloyá disse...

"[...] Sempre tive a sensação de mal-estar no mundo, uma sensação de não caber no meu espaço, um desconforto diante de meus pares – eu me pergunto: tenho pares? Eu sabia que em mim há uma mulher que tento esconder ferozmente. Tenho medo que as pessoas identifiquem meus excessos, essa quantidade absurda de pernas e braços que camuflo sob a roupa que visto. O que diriam se soubessem das muitas que vivem em mim e tentam bravamente, numa luta corporal, projetar-se do meu corpo? Tomariam-me por uma aberração?[...]"


Clarice Lispector

Camilla Aloyá disse...

dois dias passados após o pequeno surto, estou bem...