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transeuntes.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Chaves e a questão social.

Podemos rir até hoje dos episódios mais que repetidos do programa Chaves que passa em canal aberto e que fez parte da nossa remota infância. No entanto pra bom entendedor meia palavra basta e quem pensou o programa a tantos anos atrás teve uma sacada muito boa: Chaves é a mais nítida leitura da "questão social" com as suas múltiplas facetas e determinantes.
Conceituando "questão social" - Conjunto das expressões da desigualdade social, econômica e cultural, ou seja, problemas de uma sociedade capitalista, do antagonismo entre o Capital e o Trabalho. Parafraseando, coloca-se a partir da produção e distribuição de riquezas, traduzindo-se pela erosão dos sistemas de proteção social, pela vulnerabilidade das relações sociais e pelo questionamento da intervenção estatal.
Sendo assim, temos uma vila (cortiço) num bairro pobre do México com várias problemáticas soaicias.

O protagonista da história Chaves é um menino em situação de rua (mora num "mocó" que é um barril) e trabalho infantil, considerando que ele engraxa sapatos e realiza alguns serviços para as pessoas da comunidade. Sobrevive e se alimenta de esmolas que as pessoas residentes do cortiço lhe dispensam e sofre violência física pelo seu agressor Seu Madruga. Deveria ser atendido pelo Estado garantindo seus direitos previstos na legislação. Apesar de tudo ele estuda, só não se sabe quem o matriculou e se possui documentação pessoal.

Chiquinha e seu pai Seu Madruga, ela órfã de mãe (na verdade não sabemos se a mãe morreu ou foi embora deixando a família), sofre de carência afetiva e vive chamando a atenção para ela. Ele desempregado há anos e realiza trabalhos esporádicos como autônomo, o verdadeiro cara 'safa'. Residem de aluguel. Também não são atendidos pelo Estado, não recebem nenhum benecífio/auxílio ou estão inclusos em alguma política pública.

Kiko e sua mãe Dona Florinda, o primeiro uma criança mimada que tem tudo que quer, órfão de pai, a mãe lhe enche de presentes para satisfazer a ausência do mesmo. Ambos não se enxergam enquanto classe. Em alguns capítulos da série Dona Florinda tem um estabelecimento - restaurante - mas em geral vivem com a ajuda da pensão previdenciária deixada pelo marido falecido.

Dona Clothilde, uma idosa que mora sozinha e é excluída pelos vizinhos por puro "preconceito", mas dela nunca ouvi dizer que tivesse alguma renda mensal, pensão ou tivesse pedido dinheiro emprestado para alguém. Apaixonada pelo Seu Madruga deve apenas sofrer de carência afetiva.

Professor Gilafales, professor de ensino fundamental, mal remunerado e fadigado da vida de professor, bem como vemos na realidade nua e crua dos professores. Não conta com muito respaldo do Estado para exercer sua profissão, consequentemente precarizando seu trabalho e o aprendizado dos alunos. Os alunos são produto de um sistema educacional fálido.

Seu Barriga, o personagem rico do programa, dono de todas casas do cortiço. Este representa o capital, as grandes corporações, os bancos. Vem a vila apenas para cobrar os aluguéis e ameaça despejar sempre o Seu Madruga que está a meses com o aluguel atrasado. Vê o Chaves todas as vezes que vai até o seu empreendimento mas nunca foi capaz de alertar ao órgão competente que existe uma criança em situação de risco físico e social morando em sua propriedade. Indiferente com as especificidades de cada núcleo familiar o que ele visa é apenas o lucro.

Acredito que agora podemos continuar rindo dos episódios do programa com apenas uma restrição: riam com consciência e olhar crítico, tenham em mente que estão rindo da desigualdade social e saibam que mais do que engraçado é a situação que grande parte da população no mundo se encontra.

6 comentários:

Rui disse...

Nossa Camilla!
Vc escreveu de forma maravilhosa o que eu pensava mas nunca tive coragem de escrever!
Muuuito otimo!!!
Bjos no coração!!!
Rui

Mariana disse...

bibibibibibibi... o choro do chaves soou mais alto depois que li seu texto.
Besos...

quiz brisas. disse...

Que belas palavras Camilla..quando crescer quero ser igual você.
Praticamente uma lutadora da prole..que orgulho..seu texto ficou ótimo.
Estou sem tempo,seguindo em frente e o que me faz viver é saber que entro em férias.
Estou preparando um texto:" Homenagem à Michael" Aguardem-me!!

Bjs Lu loira

Vanessa Souza Moraes disse...

Texto bacana.

Mas, confesso que nunca gostei de assistir.

Beijo!

Paulo Paz disse...

Chaves é o retrato da nossa sociedade, uma sociedade falida onde o Estado nao dar amparo as pessoas, deixando-as a mercer da propria sorte, mendigando comida. Eu trabalho proximo a um dos pontos turisticos da cidade, Elevador Lacerda, e a quantidade de pedintes e mendigos que habitam naquela area é absurdo, enfrente a Camara municipal e a Prefeitura é um verdadeiro descaso com o povo, enfeitam a cidade para os turistas, e as pessoas na miseria.
Hei de ver um dia, uma sociedade mais justa, onde homens e mulheres tenham educação e se respeitem.

Super Lana disse...

Nussa..sua leitura
do programa foi bem real
Gsotei!!


Bjusss