apenas eu.

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"Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm." (1 Coríntios 10:23a)

transeuntes.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

1º dia de aula é igual pra todo mundo.

Acordar cedo deveria ser proibido por lei, decreto internacional, mas até que me sinto bem quando é por uma causa nobre. Como aconteceu hoje, primeiro dia da Elisa no Ensino Fundamental, 1º série, ela está crescendo. Uma criança inteligente, interativa, criativa, sociável e nada agressiva mas tem gênio forte como boa Leonina, porém, em contrapartida muito ansiosa e por vezes insegura (talvez essa ansiedade e insegurança sejam por minha conta, mas não vou me culpar, faço o que posso dentro do que acredito ser certo) e ainda tem síndrome de adulto. Como me disse uma pessoa esses dias se eu me culpar ou me depreciar exacerbadamente "psicotiza".

Essa noite Lili deu trabalho, estava tudo bem até comermos “estrelinhas” (Carambola) depois do jantar, tiramos fotos e rimos bastante junto com a Tia Célia. Fomos então arrumar seu material escolar, encapar tudo e colocar nome, do nada uma crise de choro, nervosismo descobri depois de uma conversa. A Tia Célia fez chá de erva-cidreira e tentou acalmá-la do jeito carinhoso e meigo que só ela tem assim como minha mãe que não possui um jeito tão meigo assim mas ama em demasia a neta.

Mesmo estando acostumada com o ambiente escolar, considerando que vai para escola desde 1 ano e meio bateu o medo, típico de quem vai fazer algo pela primeira vez. Demorou a dormir, chorou de soluçar e disse estar ansiosa e nervosa pelo primeiro dia de aula, pois, estava com medo de ter esquecido tudo que aprendeu até agora na escolinha. Me pediu para que eu pegasse em sua mão até que dormisse, com o outro braço abraçou a boneca preta e ficamos conversando, lhe disse para não ter medo, que ela era especial e muito inteligente e caso a professora perguntasse o que ela já havia aprendido como receava (coisa que eu acho pouco provável se a mesma tiver ética profissional, tentei explicar isso para ela em palavras menos técnicas) era para dizer que aprendeu muita coisa mas que poderia ter esquecido algo porque ficou de férias bastante tempo e também que era normal sentir-se assim como estava se sentindo, todo mundo quando vai começar algo que nunca fez antes também se sente nervosa, insegura e com medo. Acabou que soltou minha mão, agora mais aliviada, enxugou as lágrimas e disse: - Tudo bem! Agora eu vou dormir de verdade mamãe! Fez a oração para o Papai do Céu virou para o lado e adormeceu.

Acordamos cedo hoje, as aulas começam às 07h00, ajudei-a a se vestir, tomou café da manhã, escovou os dentes colocou a mochila nas costinhas pequenas e fomos a pé até a escola que não é tão perto quanto a anterior – 6 casas abaixo da nossa – mas também não é longe. Fomos conversando de mão dadas, ela me mostrando tudo que achava curioso na rua como sempre acontece e não parou de falar um minuto sequer. Chegamos na escola faltavam 5 minutos ainda, os alunos foram chegando com suas mães e eu via na carinha dela ainda um pouquinho de ansiedade. Acompanhei-a até a sala de aula e pedi para que ela mostrasse o bilhete que havia escrito em sua agenda para a professora – dizendo as características mais latentes da Elisa e para que a professora prestasse atenção nisso. Nos beijamos, lhe desejei boa sorte e eu vim embora.

A professora, Kátia, uma moça negra pigmentada, sorridente, apertou minha mão me disse que era um prazer. Confesso fiquei muito mais aliviada quando vi que o desenvolvimento da minha pequena estaria na mão de uma irmã e que entenderia os pressupostos de ser negra ainda mais ser negra em uma escola particular, isso me assusta muito, lógico que tenho respaldo para lidar com essas situações e tento cuidadosamente passar isso para a Elisa mas é sempre melhor ter alguém que muito provavelmente passou e ainda passa por situações semelhantes ou idênticas as nossas por perto. Gostei do tratamento dela e acredito vamos nos dar bem no decorrer desse ano.

Fui buscá-la às 11h30 término da aula, ela não quis dizer muita coisa, queria almoçar e ficar na escola como ficava antes, período intergral. Expliquei que ela está crescendo e por conta das mudanças que acontecem quando vamos crescendo algumas coisas não serão mais possíveis. Fiz várias perguntas ela não quis responder, falou que queria ficar na dela. Disse apenas que fez só uma amiguinha na escola, tive de explicar que as amizades não são feitas assim de cara, que primeiro as pessoas tem de se conhecer, sitei o meu exemplo com a Carol na faculdade. Depois que ela entendeu tudo aí as novidades começaram a aparecer e falou sem parar todo o caminho de volta para a casa. No rostinho deu pra perceber que acabou o nervosismo e todo medo, não foi nada como havia pensado que seria.

Considero a instituição de ensino uma instituição fálida, mas essa questão envolve um debate mais profundo que apenas uma citação, contudo ela faz-se necessária na vida e no desenvolvimento social e intelectual da criança. Graças ao bom Oxalá a vida está retornando ao seu curso normal, ou pelo menos a vida da pequena, o que já é um ótimo começo.

8 comentários:

ni disse...

arrepio, minha preta, sinto na pele "pouco pigmentada", arrepio de te ler! que bom que te encontrei!

Janaína disse...

ow, preta, esse friozinho na barriga de primeiro dia de aula me persegue até hoje. Quando criança tbm mal dormia, chorava em segredo...
Sobrevivi à escola que de fato é uma escola, não porque nos prepara pro mundo, mas por ser um modelo [sei lá um mini modelo] de como funciona nossa sociedade.
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Adorei o tom coruja do post!

Beijos.Beijos.Beijos

quiz brisas. disse...

e vai falar que nossos primeiros dias não foram assim?

Ana Célia Cruz disse...

Gosto do jeito que fala da sua pequena, fico pensando se ainda vou passar por essas coisas...
Parabéns Elisa! Vencido o 1° dia! Também me lembro bem de como foi o meu. Tinha um monte de crianças e suas mães no pátio da escola. Do alto do 1° lance de escadas as professoras iam chamando suas turmas. Eu tava com esse frio na barriga danado que dá e, pra "piorar", sempre fui das primeiras a serem chamadas porque me chamo Ana e meu nome começa com "A", de Abelha. O nome da Professora era Cida Sallas. Esse dia e os cabeçalhos de dias ensolarados ou não são minhas lembraças dessa série escolar...

Ana Célia Cruz disse...

Ah!!! Então é vc que não tá deixando passar... põe o que eu lembrei dos cabeçalhos de dias ensolarados... rsrs

Camilla para os menos íntimos... disse...

prontinho Dona Célia!
rsrs! é que tem a moderação primeiro, tinha umas pessoas estranhas me mandando comentários nada agradáveis...

Vanderlei disse...

Camilla acho um barato esta relação que vc tem com a Elisa, parabens continue assim, só temos nós a eles e eles a nós, pais e filhos amor sincero e honesto.
uma hora escrevoa lgo pra ela, ok?

bjs

vander

Célia Silva disse...

Elisa!! falar de sua mãe é dificil... pois ela é uma pessoa muito geniosa vc já deve ter percebido isso... mais ser assim não acho um defeito e sim uma qualidade pois sendo assim ela consegue lutar na vida e vencer varios obstáculos, agradeça sempre a Deus por ser filha dessa pessoa maravilhova!!!bjs ... fiquem com Deus!