apenas eu.

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"Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm." (1 Coríntios 10:23a)

transeuntes.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Laços (não) eternos.

Estava eu no ponto de ônibus e na minha direção vinha uma amiga do colégio (sabe daquelas que a gente faz confissões e vice-versa), ela ía passar direto, provavelmente não me reconheceria mas eu olhei dentro da bolinha dos olhos dela e praticamente lhe forcei um reconhecimento através da sua memória fotográfica.

Foi estranho porque ela me deu um beijo no rosto e com uma falsa empolgação disse "oiiiii!", perguntou se eu estava bem e foi embora. Eu queria abracá-la, dizer como me sinto, as coisas que aconteceram nesses anos que ficamos sem conversar e não pude. Me senti tão mal, querendo ou não ela me conhece, eu contava meus mais íntimos sentimentos (daquela época) para ela e agora o que temos é um "oi" falso e obrigatório. Pensei, talvez ela estivesse com pressa, mas não, ela saiu andando a passos lentos deixando para trás alguém que até aquele momento tinha boas lembranças da pessoa dela e a considerava uma amiga apesar dos anos passados.

Ela foi e meu ônibus veio. Percebi como as pessoas são relapsas e transitórias em nossas vidas. Eu preciso aprender a lidar com isso. Elas vem (somam ou não algo em nossas vidas) e vão embora, será que esse é o grande segredo? Chegar, te fazer bem ou não, desestruturar sua vida e sair andando, isso que as pessoas chamam de experiência de vida e de relacionamentos interpessoais? É isso que Roberto Freire tanto admira, o ir e vir de amores e paixões? Isso é dolorido para mim. Que loucura! Devo ter uma certa dependência de pessoas e quando elas vão, me deixam em frangalhos.

Eu devo estar muito fragilizada mesmo, pois, fiquei com medo e liguei para pelo menos meia dúzia de pessoas as quais eu amo e lhes perguntei se elas nunca me deixariam, todos disseram que não mas eu sei que não é bem isso que acontece no final. Para as que já me deixaram também senti vontade de telefonar mas o que adiantaria, já foram mesmo. Tenho medo da solidão, de pensar nela já me apavoro, ela só é boa por instantes, seja possível que por isso me apegue tanto as pessoas. Existem pessoas que eu nunca gostaria que fossem embora, pretenção a minha querer que todos perpetuem para sempre ao meu lado amém, no entanto parece que a vida caminha forçosamente para esse fim, para o esquecimento, total e voluntário.

3 comentários:

Gil Rosza disse...

A gente deseja mesmo que tudo que amamos fique em volta, ao alcance. Tentamos enlouquecidos reter essas coisas, aprisionar. O medo humano da solidão é de pirar e humanos são biologicamente gregários. Sempre achei uma pena imensa que a nossa fantasia de desejar o perpétuo nunca corresponda ao que a natureza impiedosamente nos condiciona sem se importar nem um pouco com nossos desejos.

Indianara Nonzamo disse...

Hum nem lembro de ter me ligado rs

Calma, calma, calma, como disse em outro comentário tudo muda em algum momento, talvez ela não tenha lembrado de fato de você, ou te ver possa faze-la lembrar de um momento que ela não gostaria, tenho a sensação de que as pessoas trazem para a memória a bagagem do que vivemos e nem sempre queremos ter que lidar com assuntos do passado, coisas do passado com quem fomos...

Mas quem tem que ficar fica, não se apoquente não...

Bjocas

Camilla para os menos íntimos... disse...

desculpa aí pra quem eu não liguei! rsrs!